Em documentos que devem ser apresentados à Justiça até amanhã, junto com o pedido de reconsideração da prisão preventiva, a família do ex-prefeito de Londrina José Joaquim Ribeiro (sem partido) autoriza a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dele. De acordo com o advogado Ricardo Flores, ''vamos demonstrar que ele não tem envolvimento com a suposta fraude, não tem nada a esconder''. Também será levada ao juiz a declaração de renda dos últimos cinco anos. A reportagem não conseguiu contato ontem com os promotores.
Ribeiro está preso desde quinta-feira, porque, na condição de prefeito, poderia interferir nas investigações sobre supostas irregularidades na compra dos uniformes escolares. A prisão foi decretada pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná José Maurício Pinto de Almeida. Ribeiro renunciou ao cargo logo após ser detido, em Santa Catarina.
Flores nega que o ex-prefeito estivesse fugindo ao viajar para o litoral catarinense. ''Ele estava de licença médica, inclusive segue tomando remédios.'' Ribeiro, que é contador, está na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2), numa cela individual. ''É um homem de bem e está muito chocado com tudo isso'', acrescentou o advogado.
Ainda na noite de quinta-feira, a defesa de Ribeiro entrou com um pedido de liberdade ao ex-prefeito na Justiça local, mas não teve sucesso. Na sexta-feira, Ribeiro foi ouvido pelo Ministério Público (MP) do Paraná e, embora estivesse disposto a colaborar com as investigações, não teria acrescentado muitos detalhes, segundo os promotores.
Também segue detido na PEL 2, desde sexta-feira, o ex-secretário de Gestão Pública Marco Antonio Cito. Ele, Ribeiro, o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) e mais 16 pessoas foram denunciados por supostos crimes na compra de uniformes escolares. Segundo o advogado de Cito, Maurício Carneiro, será apresentado hoje ao TJ o habeas corpus, com pedido de liminar, contrapondo o argumento de que o ex-secretário estaria se preparando para sair da cidade. ''Todos os dias ele está nos mesmos locais e horários, trabalhando.'' Carneiro disse que ''Cito não teria porque fugir, afinal tinha acabado de ser negado um pedido de prisão contra ele no TJ, um dia antes''.

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