Brasília - A mulher do deposto presidente do Equador Lucio Gutiérrez, Elsa Ximena Bohórquez, e sua filha Viviana Estefanía, de 15 anos, renunciaram ontem ao asilo político que o Brasil lhes havia concedido, alegando ''motivos pessoais'', informou o Ministério da Justiça.
As duas também manifestaram seu desejo de retornar ao Equador, o que poderão fazer a qualquer momento, já que não estão mais submetidas às normas do asilo, segundo as quais elas teriam de obter autorização da Justiça cada vez que quisessem viajar.
Apesar de Gutiérrez ter acompanhado a mulher e a filha ao Ministério da Justiça, a renúncia de asilo foi pedida somente para as duas. A porta-voz ministerial Renata Melo disse que o fato de elas terem renunciado ao asilo não modifica a situação de Gutiérrez no Brasil, a quem o governo brasileiro concedeu asilo político em 28 de abril.
Gutiérrez foi deposto em 20 de abril por ''abandono de cargo'' pelo Congresso em meio a violentos protestos da população e a acusações de nepotismo, corrupção e de encher a Suprema Corte com juízes partidários de seu governo. Ele veio para o Brasil a bordo de um avião do governo brasileiro depois de passar quatro dias refugiado na residência do embaixador brasileiro em Quito.
Sua filha mais velha, Karina, de 20 anos, decidiu permanecer no Equador, onde estuda na academia militar. Segundo fontes diplomáticas, Ximena estaria tentando obter de volta sua cadeira no Congresso.
A ex-primeira-dama equatoriana foi internada em um hospital de Brasília logo nos primeiros dias de asilo por ''problemas ginecológicos'', segundo informações médicas. No entanto, fontes de Brasília disseram que Ximena teria sido agredida pelo marido.
De acordo com rumores em Quito, o ex-presidente frequentemente usava da violência contra sua mulher.

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