''Família achou melhor eu não me desgastar''
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Mari Tortato 
O ex-governador Ney Braga disse ontem que não vai mais conduzir o processo de privatização da Copel por motivos de saúde. De uns 15 dias para cá, piorei de problemas da coluna e do estômago e minha família considerou que é melhor eu não me desgastar fisicamente, relatou Braga, que está com 81 anos.
Conforme o ex-governador, quando ele foi convidado a ocupar a presidência do conselho, achou que seria uma tarefa mais simples. Quando feito, o convite não partiu diretamente do governador Jaime Lerner. Há cerca de 20 dias, Ney Braga foi procurado pelo secretário de Assuntos Estratégicos, Alex Beltrão, e aceitou a incumbência. Quando o Alex me falou, eu não estava tão indisposto, afirmou ontem, em entrevista por telefone à Folha. O governador fez o decreto e depois eu disse que não aceitava, explicou.
A família de Ney Braga manifestou preocupação com sua saúde, comparada ao peso da responsabilidade que ele teria de assumir, desde o anúncio da nomeação do ex-governador para conduzir o processo de privatização da Copel. Na última quinta-feira, os sete filhos de Ney Braga foram ao governador Jaime Lerner, no Palácio Iguaçu, comunicar que o ex-governador estava declinando do convite e pedir que ele (Lerner) anunciasse a decisão e apontasse um substituto. Lerner pediu quatro dias fazer a comunicação oficial. Anteontem, os filhos de Ney Braga se mostravam contrariados com a demora do anúncio. O ex-governador resolveu, então, antecipar a confirmação de sua desistência.
Ontem, Ney Braga disse que só pretende acompanhar com interesse de cidadão o que for decidido pelo conselho como regra para o leilão da Copel. Você sabe que eu fui criador da Copel e a minha posição vai depender da proposta que vier, antecipou. Ele disse que desconhece as discussões que já se travam internamente - casos da venda em bloco do patrimônio ou da divisão da companhia em cinco outras segmentadas. O importante é quem vai julgar isso, afirmou.
O ex-governador admite, porém, que não há como segurar a companhia energética estatizada e concorda que isso seria remar contra a maré. Criei a Copel numa época diferente da de hoje, quando todas as demais companhias da área estão privatizadas ou em processo de venda, remumiu.


