Faltou diálogo sobre política de participação social
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sábado, 21 de junho de 2014
Rafael Moraes Moura<br>Agência Estado 
Brasília - Em meio à polêmica sobre o decreto que institui a política nacional de participação social, o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, reconheceu ontem que o governo poderia ter feito um "processo muito mais amplo de comunicação" sobre o tema, mas defendeu o combate às acusações de que a matéria seja "chavista" ou "bolivarianista". "Muita gente não viu (o decreto), não leu, não gostou e criticou. Nós precisamos, de fato, melhorar o nosso processo de comunicação", afirmou Carvalho, durante entrevista antes de participar da convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT). Segundo Carvalho, o decreto é uma outra filosofia de governo onde a sociedade comparece com autonomia para o debate. "Isso faz parte da educação democrática do País."
Ao falar com jornalistas após a entrevista, o ministro reiterou que o governo não cogita desistir do decreto. "O que o governo pensa é que o decreto deve ser mantido, nós queremos dialogar com o Congresso, buscando convencer o Congresso, com todo o respeito, evidentemente, de que não vale a pena gastar energia para votar contra um decreto que, na verdade, não muda em nada substancialmente a realidade", afirmou o ministro.
Para Carvalho, o Congresso Nacional poderia contribuir no debate sobre participação social com a convocação de audiências públicas para discutir o assunto. "O Congresso assumiria um papel, um papel de vanguarda, de protagonizar esse debate. Uma forma em que é uma relação ganha-ganha e quem vai ganhar mais é o Brasil", comentou Carvalho.
Para o ministro, a discussão sobre o papel dos conselhos e das conferências "é ótima", porque "a imprensa nunca se dedicou" ao tema antes da polêmica envolvendo o decreto. Mesmo assim, ele disse que viu a controvérsia com "uma surpresa extraordinária" e a atribuiu ao resultado desse "grande debate eleitoral e de forças que têm medo" do avanço da democracia.


