Começa a vigorar amanhã o prazo de 60 dias concedido pela Justiça Eleitoral de Londrina para que quem faltar à eleição de hoje apresente a justificativa da ausência. A medida tem de ser protocolada no cartório da zona eleitoral à qual pertence o eleitor - ao todo, são sete zonas e 986 seções em toda a cidade - e deve ser acompanhada do título eleitoral, comprovante de que o cidadão de fato estava fora de Londrina, na data do pleito, e requerimento ao ao juiz com a argumentação. Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a justificativa também pode ser feita em qualquer cartório eleitoral do Brasil no mesmo prazo, sem pagamento de multa.
Ao todo, a partir de números de julho de 2008, estão aptos a votar em Londrina 341.908 eleitores.
No primeiro turno de 2008, 54.584 londrinenses (15,96% do total) deixaram de comparecer no dia da votação, em 5 de outubro. O número aumentou no segundo turno, no dia 26 daquele mês, quando foram 58.236 (17,03%) os eleitores que se abstiveram.
De acordo com o chefe de cartório da 42 Zona Eleitoral - que coordena a eleição -, Dorivaldo Rodrigues, cada uma das justificativas para a ausência, que forem apresentadas, serão analisadas caso a caso pelo juiz eleitoral. ''A pessoa tem que comprovar que de fato não podia votar. Quem disser que viajou, por exemplo, terá de apresentar documentos, seja um boleto de passagem ou de hotel, que seja, e isso vai ao crivo da Justiça'', explicou. ''Mas não serão aceitas justificativas feitas em outra seção eleitoral, ou seja, dentro de Londrina'', alertou Rodrigues.
O cartorário salientou ainda que quem faltar ao pleito e não justificar a ausência - portanto, não quite com a Justiça Eleitoral - fica sujeito a multa de R$ 3,51 e outras sanções, como impossibilidade de tirar passaporte e mesmo de participar em licitações e concursos do poder público. Pelos cálculos do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o novo segundo turno custará R$ 280 mil.
Campanha contra a abstenção
Paralelamente à orientação da Justiça Eleitoral aos faltosos, a Arquidiocese de Londrina lançou na última semana um manifesto contra o voto nulo e o voto em branco e a favor da escolha ''segundo nossa consciência bem formada e informada''. O documento, assinado pelo arcebispo Dom Orlando Brandes, ainda convoca ''todos os cristãos, cidadãos e pessoas de boa vontade'' para que não se ausentem - ainda que sejam eleitores ''desmotivados, desinteressados, decepcionados''.
Para o pároco geral da Arquidiocese de Londrina, padre Amélio Rocha, a iniciativa da instituição é chamar o eleitor ''a uma consciência política crítica''. ''O voto é um modo de exercer a cidadania - e como lutamos tanto por esse direito, não podemos agora abandoná-lo'', defendeu. Indagado sobre o voto nulo e o livre-arbítrio do eleitor que não se sente à vontade para escolher entre Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT), o religioso argumentou: ''A lei federal 9840 cassou 623 políticos em todo o País; 16 deles no Paraná, onde ainda existem 110 processos em andamento. Votar nulo não é protestar contra isso, contra a lentidão da Justiça: é um voto contra si mesmo''.

Confira os locais de votação do 3º turno em Londrina

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