Metade das demissões dos últimos 16 meses ocorreu por motivos ligados à falta ao trabalho injustificada, como são os casos do médico Ricardo Camilo da Silva, da enfermeira Cleonice Almenan Selini, da técnica em gestão pública Eliandra Ribeiro, da professora Leyla Guimarães Lima e do agente de gestão pública Daniel Francisco.
Ricardo Silva, de acordo com o PAD, apresentou faltas injustificadas por mais de 60 dias entre setembro de 2011 e julho de 2012, deixou de cumprir carga horária mensal entre janeiro de 2011 e setembro de 2012 e teve atrasos na jornada. Também pesou no seu processo de demissão o fato de "agir de forma grosseira com os colegas, inclusive na frente dos pacientes" e usar expressões inadequadas ao tratar com as servidoras da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Bandeirantes, como "vocês são umas portas". O advogado que o defendeu no PAD, Francisco Galli, disse que não poderia comentar o assunto porque seu mandato para representação havia expirado. A reportagem não conseguiu localizar o médico.
Daniel Francisco, que trabalhava na Secretaria de Obras, se ausentou sem justificativa por mais de 30 dias no trabalho, a partir de janeiro de 2012. Ele sequer compareceu para responder o PAD e lhe foi nomeado um defensor, que não foi localizado pela reportagem. Caso semelhante é o de Eliandra, que faltou mais de 30 dias consecutivos a partir de março de 2012. Seu advogado, Júlio Ribeiro de Castro, afirmou não ter conversado com a cliente para saber se recorreria da decisão administrativa. Já a professora Leyla, conforme a CGM, não voltou ao trabalho após decisão da junta pericial oficial do município de que a servidora tinha condições de ser reabilitada. Ela estava afastada por motivo de doença. O advogado, Vinícius Borba, pretende recorrer à Justiça.
A enfermeira Cleonice, lotada na UBS do Jardim Leonor (zona oeste), segundo a Corregedoria, registrou ponto na unidade enquanto, nos mesmos dias e horários, cumpria expediente em um hospital particular da cidade. O PAD apurou que tal fato ocorreu pelo menos em três ocasiões, nos meses de outubro e novembro de 2012. Em dezembro daquele ano, teria rasurado o cartão ponto para não coincidir com o horário em que teria trabalhado no hospital privado. Além disso, não teria cumprido a jornada mínima de seis horas entre outubro e dezembro de 2012, mesmo tendo função gratificada de coordenadora. No PAD, Cleonice foi defendida por Gervázio Luiz de Martin Júnior, que afirmou que irá recorrer ao Judiciário para tentar reverter a demissão. "Há nulidades processuais e excesso de austeridade na penalidade", afirmou. "A demissão dela também foi baseada em artigo do estatuto que trata de ‘mau procedimento’, um cheque em branco para a administração." O advogado preferiu não comentar o mérito do processo.

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