Curitiba - A intenção do governador Roberto Requião (PMDB) de concentrar as secretarias de Estado no Centro Cívico, em Curitiba, está longe de se tornar uma realidade. Apesar do anúncio da instalação de quatro órgãos da administração estadual na Praça Nossa Senhora de Salete no local atualmente ocupado nos últimos 18 anos por um edifício inacabado, o governo ainda não dispõe de imóveis para abrigar todo o aparato estatal na região.
Segundo o coordenador de patrimônio da Secretaria de Estado da Administração, Luiz Alberto de Machado, não há um prazo para que todas as secretarias possam ser transferidas para o Centro Cívico, como quer o governador. ''Priorizar a utilização de prédios próprios e evitar a locação são prioridades. A idéia é realmente ressuscitar o Centro Cívico. Entretanto, esse é um processo que pode ser demorado'', explicou.
Entre os órgãos que ainda se encontram em imóveis locados estão a Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social e a Procuradoria Geral do Estado (PGE), que tem status de secretaria. Esta última deve mudar de sede nos próximos meses, embora ainda não vá nem para o Centro Cívico, nem para um imóvel próprio. Está prevista para os próximos dias a assinatura de um compromisso de locação da PGE com a Paraná Previdência, que é proprietária de um prédio próximo à praça Tiradentes, o marco zero da cidade.
O prédio, atualmente abandonado, pertencia ao Instituto de Previdência do Estado (IPE) e foi transferido para a Paraná Previdência em 1999. Como por lei a paraestatal não pode ceder patrimônio para o governo estadual, os órgãos que lá funcionavam em regime de comodato como a Rádio Educativa tiveram que ser transferidos para outros locais. Abandonado desde 2001, o prédio irá passar por uma reforma para abrigar a PGE, que pagará a locação pelo valor de mercado, como prevê a lei que criou a Paraná Previdência.
Enquanto a reforma não acontece, o prédio vem servindo de abrigo para pichadores e sem-teto. Apesar das portas de entrada estarem lacradas, os vândalos sobem nas marquises e acessam o prédio pelos andares superiores. Atualmente, o prédio de 17 andares e cerca de 8 mil metros quadrados encontra-se todo pichado e sem alguns dos vidros das janelas. Outro prédio da Paraná Previdência em situação semelhante está localizado na Avenida Marechal Deodoro, no centro financeiro da cidade. Há três meses, a polícia teve que fazer uma batida no prédio para retirar os moradores ilegais, que vinham trazendo transtornos à vizinhança.
A Paraná Previdência afirmou ontem através de sua assessoria que os prédios permaneceram sem ocupação em virtude dos estudos realizados para analisar a viabilidade econômica dos imóveis. Como os imóveis fazem parte do fundo de previdência dos servidores estaduais, a paraestatal não é obrigada a cedê-los para o uso da administração estadual, podendo utilizá-los como forma de capitalizar recursos.

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