Falta de unidade no PMDB ameaça aliança
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de maio de 2002
Cida Fontes<BR>Agência Estado 
Brasília - A aliança entre PSDB e PMDB para a eleição presidencial corre o risco de não ser confirmada pelos peemedebistas porque falta unidade interna em torno do projeto, alertou ontem o senador Pedro Simon (PMDB-RS), um dos nomes preferidos do candidato tucano José Serra para compor sua chapa. Com um forte discurso pró-Serra, o senador gaúcho propõe que o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), convoque todos os setores do partido para buscar esse entendimento. Retribuindo os afagos do tucano, Simon é só elogios ao presidenciável. Ele é o candidato mais preparado e competente, e um parlamentar progressista, disse.
Ao afirmar que José Serra é um progressista, o senador Simon ressaltou que a troca do tucano pelo nome do governador do Ceará, Tasso Jereissati, como quer o PFL, seria uma guinada à direita. Se tirar a candidatura de Serra para pôr Tasso, aí mesmo é que haverá um candidato à direita , avaliou.
Embora tenha considerado estranho o fato de o PMDB utilizar o horário eleitoral gratuíto no rádio e na televisão para tentar atrair o PFL, Pedro Simon considerou interessante a iniciativa peemedebista, por considerá-la que é um gesto de humildade do PMDB. E acrescentou: O apoio do PFL fortalecerá a candidatura de Serra.
Com a tese da candidatura própria à presidência da República praticamente enterrada dentro do PMDB, Simon defende que a direção do partido faça um esforço para que a opção pelo pré-candidato tucano José Serra seja uma decisão majoritária. Segundo ele, ainda é grande a ala que prefere ficar livre no plano nacional para fazer as mais diversas coligações nos Estados.
Por isso a Executiva Nacional precisa agir para unir os setores, o comando deve ter humildade para chamar todas as facções, porque a hora é agora e há espaço para negociar uma saída de consenso.
Ele afirma que Michel Temer não deve isolar os grupos que têm dificuldades para apoiar José Serra, como os dirigentes do partido em São Paulo, Goiás, Paraná e Minas Gerais, onde estão as maiores resistências. Esses grupos não podem ficar isolados, cobra, lembrando que estes Estados poderão, se quiser, derrubar o apoio a Serra na convenção do PMDB, que será realizada em junho.


