Falta de transparência atrapalha transição
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Rosiane Correia <Br>de Freitas<Br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois que termina a eleição, começa um processo lento de troca de papéis De um lado, o atual ocupante do cargo executivo que tem mais de um mês de governo pela frente Do outro, o candidato eleito já é cobrado para anunciar as primeiras medidas do novo governo ''Os que estão saindo vão dizer que vão entregar o governo com as contas em dia e os que estão entrando dirão que terão que administrar com deficit'', aposta o especialista em transparência pública, Marcelo Soares
O que permite que exista esse ambiente de troca de acusações é a falta de transparência do Poder Público, diz Soares ''É uma relação de sabotagem mútua'', completa o professor de Ciências Políticas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Adriano Codato
Na realidade, aponta o coordenador de Gestão Financeira da Universidade Positivo, Valmir Alberto Thomé, todo o processo de ''transição de governo'' é ainda uma conquista recente da democracia ''É um processo que começou em 2002, com o Fernando Henrique Cardoso, na transição para a posse do Lula'', conta Na época, o governo federal emitiu dois decretos e uma portaria para regulamentar o processo
A legislação prevê a criação de 50 cargos para a equipe de transição do governo eleito, além de estrutura para o trabalho a ser realizado Os cargos são extintos após a posse
O exemplo federal inspirou situações semelhantes nos estados No Paraná o processo de transição não existe formalmente e depende da boa vontade do governador que está em fim de mandato ''Mas a própria experiência democrática cria um ambiente propício para isso Se o governador disser que não quer uma equipe de transição circulando pelo governo vai criar certamente um situação constrangedora para ele'', explica Thomé
Na atual transição, o governador eleito, Beto Richa (PSDB) e o atual, Orlando Pessuti (PMDB), designaram profissionais de confiança para o processo Segundo o coordenador da equipe de Beto, Carlos Homero Giacomini, o trabalho no grupo do novo governador é ''voluntário'', ou seja, não é pago Além dele, o grupo é composto por outros quatro coordenadores e mais quarenta e quatro técnicos designados para coletar informações nas secretarias de estado
Giacomini explica que a maior parte dos integrantes da equipe é de ''pessoas que trabalharam na campanha'' ''Alguns são servidores, outros não Quando se está numa campanha existe essa expectativa de participar também do governo'', conta ''Mas ninguém tem garantia de nada'', completa
A reportagem da FOLHA tentou contato com o coordenador da equipe de transição do governador Orlando Pessuti (PMDB), Allan Jones, mas ele estaria em viagem pelo interior e não estaria disponível para entrevistas


