Falta de quórum causa novo adiamento
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sábado, 17 de janeiro de 1998
Agência Folha Brasília 
O governo não conseguiu ontem manter o quórum mínimo de 51 deputados na Câmara para realizar a sessão e contar prazo para votação da emenda da reforma da Previdência. Sem a realização da sessão, o governo perdeu um dia no calendário. Para votar a emenda na comissão é preciso cumprir, pelo menos, o prazo de dez sessões ordinárias da Câmara.
O governo já trabalha com um prazo maior para votar a reforma em primeiro turno. Inicialmente prevista para o dia 11 de fevereiro, a votação deverá acontecer só na primeira semana de março. Ontem, às 9h30, último horário para abertura da sessão, apenas 30 deputados estavam na Câmara. É necessária a presença de 10% do total de 513 deputados.
A votação das reformas - administrativa pelo Senado e previdenciária pela Câmara - foi a principal justificativa para a convocação extraordinária. O trabalho extra dos parlamentares vai custar R$ 26 milhões aos cofres públicos, apenas com o pagamento de salários extras dos deputados, senadores e funcionários do Congresso.
Nem mesmo o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), estavam presentes. Temer viajou para São Paulo na quinta-feira à noite e Luís Eduardo foi para a Bahia ontem pela manhã. Às vezes o deputado está em Brasília, mas não chega pela manhã à Câmara, afirmou Luís Eduardo na quinta-feira à tarde, ao falar sobre o esquema para garantir o quórum.
Perseguição O relator da emenda da Previdência, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), protestou. Assim fica difícil (votar a reforma na convocação). Depois dizem que é perseguição da imprensa, mas só havia 30 deputados. Durante toda a semana, os líderes governistas anunciaram que teriam um esquema para garantir o quórum na sessão de ontem, primeira sexta-feira depois do início de contagem do prazo para a reforma. Vamos manter pelo menos 20 deputados em Brasília, afirmava o líder Inocêncio Oliveira. Ontem, no entanto, dos 110 pefelistas, apenas 10 contribuíram para o quórum.
O PSDB vai estar na frente da defesa das reformas, disse o líder do partido, Aécio Neves (MG). Apenas 6 dos 95 deputados tucanos estavam na Câmara no horário de abertura da sessão.
Mesmo com a recomendação de obstruir, a oposição ajudou no número de presenças. Dos 30 presentes, oito eram de partidos de oposição, incluindo os líderes do PT, José Machado (SP), e do PC do B, Aldo Arantes (GO).


