Falta de pistas faz investigação ser interrompida
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de dezembro de 1998
Edson Luiz Agência Estado 
A Polícia Federal diz que não tem qualquer pista ou suspeitos no caso da escuta telefônica na sede do BNDES, que causou a queda de cinco integrantes do governo, inclusive do ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Vamos precisar de muita sorte, afirmou o diretor-geral da PF, Vicente Chelotti. Segundo ele, ao contrário do inquérito que apura os supostos documentos envolvendo ministros de FHC, que está chegando ao final, o caso do grampo está praticamente parado.
O tempo entre a realização da escuta telefônica e as investigações é o principal problema enfrentado pela PF para desvendar os autores do grampo. A PF não tem qualquer suspeito de planejar a escuta. Tudo que a imprensa está publicando é mera especulação, garante Chelotti. Não temos nada de concreto até agora, acrescenta. Até agora, a polícia apenas degravou algumas fitas no Instituto Nacional de Criminalística (INC) e identificou as pessoas que foram grampeadas, Mendonça de Barros, o ex-presidente do BNDES, André Lara Rezende, o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, Sérgio Ricardo de Oliveira, o ex-diretor da Previ, Jair Bilacchi e Pérsio Arida, sócio da Opportunity, uma das concorrentes no leilão da Telebrás.
Dificilmente a PF vai chegar aos autores ou mandantes da escuta. Não existem provas e ninguém deve ser indiciado. Além disso, as fitas que estão em poder da PF estão editadas e não existem ruídos ou conversas paralelas que possam indicar novos rumos para as investigações. A PF descarta também qualquer grampo feito por meio ambiente - microfones ou escutas colocadas por entre paredes.


