O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, criticou ontem em Porto Alegre o corte de recursos em sua área e disse que o Brasil irá parar literalmente a partir de abril, se não houver investimentos no setor. O ministro vem dizendo desde o final do mês passado que iria tentar impedir que os cortes orçamentários previstos pelo pacote de ajuste fiscal do governo atingissem sua pasta. O orçamento inicial do Ministério dos Transportes para 99 era de US$ 3,17 bilhões e será reduzido em US$ 1,32 bilhão.
‘‘Ou conseguimos novas fontes ou o Brasil pára literalmente a partir de abril, porque o sistema rodoviário, por onde transita 60% da riqueza nacional, vai ficar absolutamente intransitável’’, disse o ministro, em entrevista pelo telefone à Rádio Guaíba. Padilha declarou, referindo-se ao corte, que ‘‘o barato pode sair caro’’, caso haja ‘‘a paralisação absolutamente de tudo’’.
O ministro disse que a malha rodoviária nacional, avaliada em R$ 200 bilhões, exigirá investimento de R$ 20 bilhões, se não receber manutenção por um ano. ‘‘Se deixarmos a malha sem conservação durante um ano, perderemos cerca de 10%. São R$ 20 bilhões que a sociedade brasileira vai perder’’, previu o ministro, acrescentando que rodovias em mau estado acarretam um custo adicional.
‘‘Temos estudos técnicos que comprovam que uma rodovia em péssimo estado de conservação aumenta o gasto de combustível em 58%, a manutenção do veículo em 38%, o risco de acidente em 50% e o tempo que se gasta é 100% maior’’, explicou Padilha. ‘‘O orçamento do ministério para conservação de todas as rodovias do Brasil em 1999 é de R$ 36 milhões. Esse é o recurso necessário para manter minimamente as rodovias do Rio Grande do Sul, por exemplo. Temos 27 Estados’’, observou Padilha.
Segundo ele, o governo terá de buscar recursos para a área dos Transportes, ‘‘seja com financiamento do exterior, seja com financiamento interno, que sempre vem via contribuição ou tributo’’. Padilha disse que o chamado ‘‘imposto verde’’, sobre combustíveis, que reverteria para a criação de um fundo nacional de transportes, é uma das alternativas em exame no Congresso. O ministro disse acreditar que o governo encontrará ‘‘novas fontes de recursos’’ para manter o sistema viário em condições de uso.
O DNER no Paraná diz que as obras da etapa 1 do corredor do Mercosul (São Paulo a Florianópolis) não serão prejudicadas com o corte orçamentário do governo federal. As obras, financiadas com recursos do BID, do Eximbank (Japão) e da contrapartida do governo federal, deverão ser mantidas em 99, segundo o engenheiro-chefe do departamento, João Alberto Sautchuk.

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