Arquivo FolhaEconomia forçadaFreire e Ciro: estratégia é levar candidato do partido apenas a centros de importância regional O Brasil ficará menor, menos continental, durante a campanha presidencial do próximo ano. Calma: a redução do mapa do país não está sendo ordenada por nenhuma medida provisória do governo destinada a conter a evasão de capitais em razão da crise das Bolsas, mas sim pela necessidade de conter despesas à qual estão atados PT e PPS, principais partidos de oposição ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
José Dirceu, presidente do PT, e o senador Roberto Freire, presidente do PPS, acham que, em virtude do dinheiro escasso, seus presidenciáveis - Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS) - não terão visitado nem 10% dos quase 5.600 municípios brasileiros ao final da campanha de 98. Candidato a presidente da República em 94, Lula esteve em 1.200 cidades espalhadas pelos 27 Estados do Brasil entre maio de 93 e setembro de 94. Contabilizou 41 mil km percorridos pelas ‘‘caravanas da cidadania’’, nome com o qual batizou seu programa de campanha na última eleição.
O senador Roberto Freire, candidato a presidente em 89 pelo extinto PCB (Partido Comunista Brasileiro), prevê um tortuoso caminho para Ciro Gomes tornar sua candidatura conhecida na classe média e entre os formadores de opinião. Ele já traçou uma estratégia: levar seu candidato, pelo menos, aos 500 municípios-pólo do país - cidades com mais de 150 mil habitantes e centros de importância regional - e organizar vários debates para que ele exponha seu programa e suas diferenças para com FHC e a esquerda de Lula.
O PT joga as suas fichas na aposta de que terá bons palanques estaduais nos quais Lula possa subir. Em 94, o partido arrecadou R$ 4,2 milhões em doações. Gastou tudo numa campanha considerada cara para seus padrões. Agora, os petistas imaginam que precisariam gastar 50% a mais para fazer uma propaganda do mesmo nível da passada, mas conformam-se diante da perspectiva de arrecadar metade das verbas de 94.
É por isso que o PT corre tanto atrás de boas alianças nos Estados. No Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral do país, a cabeça da chapa ao governo deve ser cedida ao PDT. Em Minas Gerais, segundo Estado em número de eleitores, a engenharia se inverte: o ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) disputará o governo e a senadora Júnia Marize (PDT) tentará se reeleger apoiando-o.
Em São Paulo, Estado mais populoso do Brasil, o PT terá candidato próprio ao governo sem muitas chances de eleição e tenta fazer um acordo com o pedetista Francisco Rossi, pré-candidato ao governo ou ao Senado. No Rio Grande do Sul, a dupla petista Olívio Dutra e Tarso Genro tem condições de vencer a eleição estadual para governador e senador e forma um palanque fortíssimo para Lula.

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