Que mulher não vota em mulher isso elas não têm dúvida. A deputada estadual Irondi Pugliesi (PPB), a única representante da categoria eleita em 94, diz que, apesar do eleitorado feminino no Paraná perder por pouco do masculino (a relação é de 50,98% eleitores homens para 48,73% mulheres e 0,29% com classificação indefinida), ainda existe uma ‘‘desconfiança’’ das mulheres com relação às candidatas. ‘‘As trabalhadoras já superaram esse discurso de que política é coisa para os homens’’, afirma.
Dados do TRE (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná), referentes às eleições municipais do ano passado, confirmam a tese de que são pálidos os casos de mulheres que vencem nas urnas. Elas representam 3,01% do total eleito nas disputas majoritárias (para prefeito), contra a maioria esmagadora de 96,99% de homens. Na briga por cadeiras nas câmaras municipais, o índice fica abaixo dos 10% - 9,49% - contra 90,51% do sexo oposto.
Ocupando pela terceira vez vaga na Assembléia Legislativa do Paraná, Irondi começou a sua carreira junto com o marido, o ex-prefeito de Arapongas Waldyr Pugliesi. Segundo ela, fator que prejudica a ascensão política feminina é a falta do poder econômico. ‘‘Ao contrário dos homens, ainda não temos suporte, por exemplo, para manter uma campanha’’, alega.
A ‘filha única’ não considera o parlamento do Paraná machista. ‘‘Tenho a impressão que eles (os deputados) ainda pensam que mulher é incompetente, mas nunca usaram a vantagem que acham ter para me intimidar. Eu realmente me sinto bem à vontade e acredito que não há discriminação’’, pondera a parlamentar, que é candidata à reeleição em 98.
O projeto da deputada Marta Suplicy é, na avaliação de Irondi, ‘‘instrumento legal discriminatório, positivo e temporário’’. ‘‘Se fôssemos aguardar pelo nosso espaço esperaríamos 400 anos’’, alega.
A deputada diz que apóia a lei, mesmo sabendo que existem partidos que colocam candidatas ‘laranja’ para reforçar a hegemonia masculina.

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