A proposta da abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o possível superfaturamento nos contratos de concessão entre o governo do Paraná e as empresas responsáveis pela administração das rodovias que fazem parte do Anel de Integração poderá esbarrar na dificuldade de se conseguir que quatro deputados da situação assinem o pedido da instalação da comissão. Até agora, a bancada do PT - que abraçou a causa - conta com a adesão de 14 deputados da oposição (os quatro do PT, seis do PMDB, três do PDT e um do PSDB) e espera conseguir as assinaturas que restam após a entrega do laudo técnico encomendado pelo líder, Péricles de Mello (PT).
Ontem, Neivo Beraldin (PSDB) acenou com a possibilidade de ser o 15º deputado a assinar o documento que pede a instalação de uma CPI. ‘‘Estou bem inclinado a assinar e não será por falta da minha assinatura que esta CPI não sairá do papel’’, garantiu o deputado. Beraldin disse que irá convocar uma reunião entre os deputados da bancada do PSDB para discutir o assunto. ‘‘O líder do PSDB já aderiu à CPI, poderemos todos seguir os mesmos passos dele’’, afirmou Beraldin.
Entre os deputados tucanos que poderiam assinar o documento são cogitados os nomes de Antonio Carlos Baratter e Luiz Fernandes da Silva (o ‘‘Litro’’). Mesmo com essas adesões, o número de assinaturas chegaria a 17, uma a menos do que a quantidade mínima (18) para que a proposta seja acatada.
A expectativa de Péricles de Mello é a de que com a revelação dos novos números apontados pelo laudo técnico ele consiga atrair as assinaturas que restam para a proposta. A divulgação do laudo encomendado pela oposição é prometida para a próxima segunda-feira. Entre as acusações antecipadas, a bancada do PT garante que houve um superfaturamento de 300% nas obras executadas pela Rodonorte (uma das concessionárias das rodovias).
O secretário dos Transportes, Heinz Herwig, assegurou ontem que todos os valores das obras que seriam feitas pelas concessionárias foram definidos pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), com base na planilha de custos. ‘‘Não houve superfaturamento’’, afirmou ele. Herwig disse que irá propor uma conversa com os deputados para explicar quaisquer dados divergentes. ‘‘Já fui lá duas vezes para falar sobre pedágio e vou quantas vezes forem necessárias’’, disse.

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