Falta de acordo paralisa negociações sobre mínimo
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sábado, 22 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>De Brasília 
O governo suspendeu ontem as negociações com a oposição em busca de um acordo em torno do reajuste para o salário mínimo acima de R$ 200 já garantidos na proposta orçamentária de 2002. Depois de ter conseguido vencer as táticas de obstrução do PT e aprovar na madrugada de ontem, na Comissão Mista de Orçamento, o texto básico da proposta orçamentária, os governistas decidiram tentar repetir esse resultado durante a votação final prevista para os próximos dias 26 e 27 no plenário do Congresso.
O bom desempenho na votação será recompensado. O governo vai editar hoje no Diário Oficial um comunicado extra anunciando a liberação de R$ 1 bilhão do Orçamento deste ano que estavam retidos. Boa parte do dinheiro é relativa a emendas de parlamentares para gastos em suas bases eleitorais.
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, disse que o governo está utilizando a folga de recursos para liberar mais verbas. Em novembro, o governo ultrapassou a meta do superávit primário (receitas menos despesas, exceto juros da dívida) fixada para o ano inteiro.
O líder do PT na Câmara, deputado Walter Pinheiro (BA), admitiu que as negociações foram paralisadas. Um reajuste maior para o salário mínimo foi a condição exigida pelos partidos de oposição para votar o Orçamento de 2002. Segundo ele, o governo só voltará a conversar com a oposição se avaliar que não conseguirá levar a Brasília o número de parlamentares suficiente para ganhar a votação. Na hipótese de um balanço negativo, com risco de não haver quorum, as negociações poderão ser reabertas.
''O sentimento cívico do governo funciona de acordo com suas fragilidades ou facilidades'', ironizou Pinheiro, referindo-se ao apelo feito nos dias anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao Congresso, alegando risco de contaminação da economia brasileira pela crise argentina.
Os presidentes da Câmara e Senado, Aécio Neves (PSDB-MG), e Ramez Tebet (PMDB-MS), decidiram que vão estender o período de autoconvocação, que se encerraria ontem. Eles aguardavam o resultado da votação na Comissão Mista de Orçamento dos 2.331 mil destaques apresentados ao texto do relator-geral, deputado Sampaio Dória (PSDB-SP), através dos quais os parlamentares tentam fazer modificações. A dúvida era se a convocação ficará restrita aos dias 26 e 27, ou se haverá necessidade de ampliar o período para o dia 28.


