A reforma tributária não será votada antes das eleições municipais de outubro. O motivo para o novo adiamento da reforma é a falta de acordo entre os líderes dos partidos governistas com a equipe econômica. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, não abre mão da regulamentação do fim da cumulatividade das contribuições sociais por lei ordinária, mas os governistas resistem à proposta do governo. Na tentativa de evitar as acusações de que não está empenhado na aprovação da reforma, Malan responsabilizou o Congresso por não votar a emenda.
‘‘Se a reforma tributária não avançar, e nós estamos empenhados em fazê-la avançar, será porque existem aqueles que insistem nisso’’, afirmou ontem Malan. Maior defensor da aprovação da reforma tributária ainda este mês, o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), não escondia ontem seu desapontamento ao admitir que a emenda não será votada tão cedo. ‘‘Houve uma quebra de otimismo’’, disse Temer. ‘‘Agosto é um mês complicado para votar e se tenho um texto básico na mão para votar, tenho motivação para chamar todo mundo, mas não quero ficar como D. Quixote’’, completou.
Temer foi o anfitrião de um jantar anteontem entre a equipe econômica e os líderes governistas. Logo no início, o clima do encontro ficou tenso porque Malan foi explícito ao dizer ‘‘era inegociável’’ a constitucionalização do fim da cumulatividade das contribuições sociais. ‘‘Este é o grande nó da reforma’’, disse Malan aos governistas, durante o jantar. ‘‘Jogar para lei significa confiar no governo e o problema é que o pessoal não confia no governo’’, contra-argumentou o deputado Germano Rigotto (PMDB-RS), presidente da comissão especial que analisou a reforma tributária.
Para o líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), o governo está certo ao defender a regulamentação da não-cumulatividade em projeto de lei. ‘‘Aceito essa proposta, mas preciso ouvir o meu partido’’, argumentou o pefelista. ‘‘Ainda tenho um resquício de esperança que a reforma seja votada, mas as chances são mínimas’’, acrescentou.
Pela proposta de Malan, o governo se compromete a enviar ao Congresso o projeto de lei regulamentando o fim da cumulatividade até 31 de dezembro de 2002, quando termina o mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Me rendo à proposta do governo porque está é uma casa política e não sou eu que vou ficar obstruindo isso’’, disse o deputado Mussa Demes (PFL-PI), relator da reforma tributária.

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