O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes acatou o pedido da defesa do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) e mandou suspender as audiências de instrução da Operação Rádio Patrulha, agendadas para a próxima semana. A defesa de Richa havia pedido acesso às colaborações premiadas de três delatores, mas o juiz do caso, Fernando Fischer, da 13ª Vara Criminal de Curitiba, negou o pedido.

O ex-governador responde pelos crimes de corrupção passiva e fraude à licitação na Operação Rádio Patrulha
O ex-governador responde pelos crimes de corrupção passiva e fraude à licitação na Operação Rádio Patrulha | Foto: Hélvio Romero/Agência Estado

O advogado de defesa Walter Bittar ingressou com o recurso no STF. “Pelo conhecimento que tenho de colaborações premiadas, a defesa precisaria ter acesso aos textos dos acordos, o que não aconteceu. Por isso, a decisão do ministro Gilmar para suspender o processo e pedir informações”, explicou Bittar. A matéria ainda deve ser apreciada pela 2ª turma do STF, mas ainda não tem data definida.

Outro pedido da defesa é que o processo seja transferido para a Justiça Eleitoral. A base de tal argumentação está na decisão do STF de março deste ano que indicou que crimes eleitorais como o caixa 2 que tenham sido cometidos em conexão com outros crimes como corrupção e lavagem de dinheiro devem ser enviados à Justiça Eleitoral. Sobre este tema ainda não há uma decisão.

No processo o ex-governador responde pelos crimes de corrupção passiva e fraude à licitação. Em sua defesa, Richa nega que tenha cometido tais atos. Junto com ele há outros 12 réus. São listados como delatores "o empresário Tony Garcia, principal delator da Operação Rádio Patrulha; o ex-diretor-geral do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) Nelson Leal; e o ex-diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos da Secretaria da Educação Maurício Fanini.

A Operação Rádio Patrulha foi deflagrada em setembro do ano passado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público e apura o direcionamento da licitação e desvio de dinheiro no programa Patrulha do Campo. O projeto foi lançado pelo governo do Estado em 2011 para trazer melhorias em estradas rurais. Três empresas estão envolvidas nas acusações.

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