Curitiba - O professor Jairo Marçal, especialista em Filosofia e Ciências Políticas da Unibrasil, explicou ontem que o nível de efetividade do papel do representante popular está condicionado à conduta da sociedade civil. Para ele, os parlamentares paranaenses não têm qualidade porque a democracia participativa inexiste. ''A democracia participativa está vinculada ao baixo nível de participação política. O povo precisa saber o que é coisa pública e precisa se envolver, cobrar resultados, participar efetivamente'', apontou. Ele argumentou que um dos maiores problemas é a falta de transparência do poder público. ''A população só sabe o que vê e não tem idéia do que é escondido pelo poder público que omite muito do que acontece efetivamente. Ninguém sabe como funciona um parlamento, como se estabelece a pauta de votação, como ocorrem as emendas e as votações orçamentárias'', avaliou Marçal.
Para o cientista político, falta consciência popular que deveria estar sendo explicitada por sindicatos, entidades e organizações não-governamentais. ''O governo brasileiro está tentando se democratizar. Mas não há democracia. Ela não existe. Não temos debates para que as leis sejam criadas e sancionadas. Na república democrática as leis têm que ser resultado do desejo da sociedade'', exemplificou. Um dos motivos para que a sociedade deixe de participar, segundo Marçal, foi o nascimento tardio da democracia na década de 80, depois de um período de clientelismo e populismo. ''Falta também uma linguagem política adequada que deveria ser mostrada na escola. Precisamos de mudanças curriculares que fale de conflito e interesse público''.
A aprendizagem da política na escola é defendida também pela socióloga Maria de Lourdes Montenegro. ''Os deputados não respondem aos anseios sociais. Mas a culpa é da própria população que vota no amigo, na pessoa que está acostumada a ver na televisão ou que tem mais condições de ganhar. Não faz análise dos projetos que foram aprovados e das obras conquistadas pelos parlamentares no seu bairro ou no seu município. As escolas também são culpadas, porque não ensinam os jovens a pensar, a fazer política'', enfatizou. Os professores seriam culpados também, segundo ela, porque temem perder seus empregos se politizarem as aulas. ''A população cresce em número, mas não em qualidade'', complementou a socióloga. (L.P.)

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