Atualmente em quinto lugar nas pesquisas de intenção de voto ao governo do Estado, Rubens Bueno (PPS), acredita que poderá chegar ao segundo turno das eleições, assim que a mídia eletrônica começar a dar mais espaço aos candidatos ao Palácio Iguaçu. Com quase 20 anos de carreira política, Bueno disputa sua sexta eleição, após dois mandatos como deputado estadual, dois como representante paranaense na Câmara dos Deputados e um como prefeito de Campo Mourão (região noroeste do Estado).

Folha - O que o senhor pretende fazer para reduzir os índices de violência?
Rubens Bueno - Você não combate a violência sem políticas sociais adequadas. Do ponto de vista da emergência, você tem que destacar do mapa onde a situação está se agravando mais e agir através de força-tarefa da Polícia Militar, Civil, Federal, entidades organizadas e combater e agir firmemente. A Polícia Militar, nós temos um contingente muito aquém daquele necessário. Não posso dizer que vou contratar milhares de homens, é impossível até para treiná-los e prepará-los. Outro ponto muito importante é a vocação e a seleção desse policial antes de dar a ele uma arma, farda e autoridade. Do ponto de vista do crime organizado, temos que juntar todo o processo democrático nacional de segurança pública, envolvendo as polícias federal, de fronteira, estaduais, etc. Lembrando que Polícia Militar para patrulhar, Civil para investigar, portanto instruída e qualificada, banco de dados, tecnologia.
Folha - Hoje a Polícia Militar tem setores que trabalham na investigação e a Civil, boa parcela ainda exerce outras funções burocráticas. Como o senhor conseguiria resolver esse problema por exemplo?
Bueno - Isso aí é uma coisa muito fácil de identificar: falta de autoridade moral do governador. Nos últimos 40 anos, aqui houve uma dominação da corrupção política vinculada a corrupção policial. Então eu vou colocar autoridade moral do governador não só para combater o crime organizado, mas a corrupção policial e a corrupção política. Da eficiência policial você vai estabelecer para cobrar da corregedoria que vai agir 24 horas por dia para colocar as coisas nos seus devidos lugares.
Folha - Qual o seu plano de políticas sociais?
Bueno - Se se tratar de emprego, micro e pequenas empresas. Desburocratizando, levando preparação, qualificação, crédito, fundo de aval para a micro e pequena empresa e fazer funcionar em todos os cantos do Paraná. Se você pegar R$ 30 milhões que estão indo todo mês para a conta do Banestado, do furo que ficou, poderia estar financiando 10 mil micro-empresas a R$ 3 mil cada uma. Ao lado disso, uma agência de articulação nacional e internacional de negócios e oportunidades. É preciso ter o mercado e esse mercado de oportunidades através de uma agência estadual.
Folha - O funcionalismo está sem reajuste há oito anos. Como resolver essa situação?
Bueno - No máximo nos primeiros seis meses, estaremos colocando em prática a discussão de um plano estadual de educação dentro das políticas sociais, de desenvolvimento sustentável, e através desse plano criar um sistema que funcione independentemente de pressão política, porque estará identificado o recurso necessário para funcionar independentemente. Polícia, policial militar, o panelaço das mulheres de policiais militares, isso acontece em governo que não tem vontade de dialogar.
Folha - Como o senhor deve conduzir a política industrial?
Bueno - Não vamos entrar na guerra fiscal entre os estados. É inadmissível que uma sociedade que tem 23 milhões de miseráveis, faça renúncia fiscal para as empresas que dão o maior lucro no mundo, enquanto o borracheiro da esquina paga imposto e as multinacionais não pagam no Brasil. O modelo é aquele que toda grande empresa quer, uma política industrial adequada que ofereça infra-estrutura, matéria prima de qualidade, mão-de-obra qualificada e mercado.
Folha - Quais os incentivos que o Estado pode oferecer para atrair empresas?
Bueno - Eu sou pela micro e pequena empresa, pela micro economia. Você tem como fazer funcionar e ajustar a uma realidade dessa agência de negócios e oportunidades que eu falei com relação ao nacional e internacional. Hoje a grande indústria não emprega. É a automação, robotização.
Folha - Quais são os seus projetos para a agroindústria?
Bueno - Nessa área é só o governo não atrapalhar, que é o câmbio livre, e uma reforma tributária adequada para não aumentar o custo na hora de exportar nosso produto. Temos que acabar com essa história de terceirizar a Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), que tem que ser uma ferramenta de assistência técnica ao micro e pequeno produtor, e esse desmantelamento do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), que vai ser a fonte de pesquisa que vamos dar a força para ser a segunda ferramenta para o micro e pequeno produtor.
Folha - O que o atual governo fez que o senhor não faria?
Bueno - Eu não faria jamais a questão do Banestado. Você entregar o Banestado para o Banco Itaú e ir lá no Banco Central e assumir a conta de R$ 5,8 bilhões. Jamais faria isso. Isso é uma tamanha irresponsabilidade, que obrigou o Paraná a fazer uma conta durante 30 anos, que nós vamos pagar, conta que você e eu não devemos. Por que vamos pagar uma conta que o governo foi lá e fez irresponsavelmente?
Folha - Mas para isso o governo teria que sanear o banco. O seu governo, por exemplo, teria como sanear o banco?
Bueno - Teria como sanear o banco cobrando de quem deve. Colocando publicamente os nomes desses que usaram o banco. Um banco oficial, público. Todo governante tem a responsabilidade de corrigir, de auditar, de denunciar e cobrar o que é devido.
Folha - Por que os outros governos não fizeram?
Bueno - Não fizeram porque também foram irresponsáveis. Não queremos que o Paraná volte atrás, no tempo em que foram governantes. Quando fechou o Badep, levou a parte podre para o Banestado. Uma irreponsabilidade. O Paraná teve um prejuízo de US$ 145 milhões na época, o que estava sendo investido em indústrias e foram paralisados. Aí vem outro governante e transforma 50 mil servidores, da noite para o dia, de celetistas para estatutários, sem fazer a transição, a capitalização do fundo de previdência.
Folha - As universidades cobram o governo por repasse, autonomia, mas em contrapartida não se percebe o governo cobrando as universidades. Qual sua opinião sobre isso?
Bueno - Com o sistema funcionando e ajustado a uma nova realidade e uma proposta democrática, você encontra os recursos de financiamento e o resultado na ponta. Você vai ter como resultado exatamente o prêmio daquilo que se investiu no seu futuro. Você não pode colocar R$ 100 do dinheiro do povo nas mãos de uma instituição e ela não dar nenhum resultado. Aí estamos enganando a população, traindo o contribuinte, e temos que fazer esse dinheiro multiplicar.
Folha - Como deve ser tratada a cultura no seu governo?
Bueno - Estamos conversando com alguns segmentos organizados, onde a cultura tem que ser para o povo do Paraná, não uma cultura curitibana, ou dessa ou daquela região. Cultura para o povo do Paraná e ser democrática.
Folha - Qual seria a prioridade no seu governo?
Bueno - A prioridade é a área social. Temos que ter o emprego com renda e temos que ter segurança adequada para a população no Paraná. Agora isso você não vai fazer se não enfrentar com mão firme a ordem da casa, que está desarrumada. Do ponto de vista administrativo, onde tem milhares de apaniguados e apadrinhados, que eu quero enxugar e mostrar que é possível economizar R$ 1,5 bilhão por ano, com secretarias que não há razão de existir, com os cargos de confiança. Se eu economizar 20%, que é uma meta que pretendemos atingir, vamos chegar a R$ 1,5 bilhão, aí teremos recursos suficientes para aplicar nos setores sociais.
Folha - A questão salarial se tornou praticamente uma bengala para justificar o mau funcionamento do serviço público. Como resolver isso?
Bueno - O contribuinte quer na ponta uma política pública de qualidade para ele pagar o imposto. Quando fui prefeito, começamos a treinar, qualificar. Demos o tratamento de uma política pública para o servidor e funcionou. É um sistema que funciona, que todos os anos tem aumento automático para o servidor público.
Folha - Hoje enfrentamos o problema de venda de drogas na porta da escola, professores desestimulados...
Bueno - Quando vem um governante e tira a democracia nas escolas, qual o estímulo que tem? Se a comunidade foi afastada porque não participa mais, se o professor e o funcionário não participam de nada, acabou o estímulo. Aí vem ao longo de sete anos e meio, uma política de completo desmantelamento da educação pública no estado, isso que aconteceu. O que temos que procurar a partir daí? Reestabelecer a democracia nas escolas, com as eleições, criar esse plano estadual de educação democraticamente debatido e eleito, indicar dentro desse sistema que vai funcionar, o financiamento.
Folha - Unidades de atendimento regionais passam a ter prioridade no seu governo?
Bueno - Passam a ter prioridade, porque se você não tiver prioridade nos hospitais públicos, universitários e hospitais filantrópicos, você vai buscar onde? Então você tem que regionalizar esse tipo de atenção, as especialidades, porque aí que tem um problema grave, desde o pré-natal até o idoso. Você não pode fazer da ambulançoterapia um esquema de tratamento médico. Tem que ser o esquema de atendimento médico mais próximo de onde a pessoa mora, para que não haja um turismo de doentes, atendendo a clientelas políticas. Recursos existem.
Folha - Qual é a prioridade do senhor na área do esporte?
Bueno - Você tem que ver o esporte de competição, o econômico, o de lazer. Eu quero fazer um grande mutirão para dar não só educação de ensino integral como ocupação integral para o jovem. Vai ser não só educação física, como serviço social e lazer. Todas essas áreas serão chamadas a fazer com o que jovem volte para a escola, porque tem espaço ocioso, para aí estabelecer uma política de merenda escolar no Paraná.
Folha - Se eleito governador, o Paraná passa a ter quantos municípios? Hoje se fala que o Paraná está concentrado na região metropolitana de Curitiba, como vai ser no seu governo?
Bueno - O Paraná do Rubens Bueno será o de 399 municípios. É destacar efetivamente do mapa do Paraná, onde precisa haver investimento industrial, tratar a questão da mortalidade infantil, mortalidade materna, evasão escolar, repetência, violência, vamos tratar o Paraná como um todo, para evitar que haja concentração aqui e ali e uma injustiça que hoje chega a beira do caos.
Folha - Como vai ser a relação do senhor com a Assembléia Legislativa?
Bueno - É aquela que o deputado não vai mais levar presente e convênios para os municípios e votar a venda da Copel, como traidores do povo. É o deputado que não vai levar ambulância para Ibiporã, mas vai votar a CPI da Sercomtel para investigar onde foram parar R$ 186 milhões do nosso dinheiro que saiu da Copel de Curitiba e chegou aqui em Londrina e desapareceu. Ele vai discutir políticas públicas e leis para acabar com privilégios, que ainda tem muito privilégio nesse estado. Deputado é para fazer esse Paraná passado a limpo.
Folha - Mas como é que o senhor vai implantar um novo ciclo se o senhor tem uma Assembléia viciada, habituada com a esse clientelismo?
Bueno - Quem estabelece a relação com o Legislativo é o Executivo. A mesma situação acontecia quando eu assumi a Prefeitura de Campo Mourão. Estabelecidos os critérios e as regras de tratamento do que é fundamental para o interesse público e o bem comum, não tem nada a retroceder.
Folha - O senhor participou de alguns governos. O que o senhor trouxe de bom e de ruim dessas experiências?
Bueno - Pude compreender num primeiro momento que era o início de um novo ciclo no governo José Richa, algo interessante do ponto de vista democrático. Depois imaginávamos que poderíamos avançar. Fui secretário de Estado, três anos no governo do Alvaro e eu rompi com o governo. Saí do poder e fui para as ruas construir a nova proposta. Ali eu vi que houve um atraso muito grande, porque na eleição da sucessão, estabeleceu-se a velha política, de uma botina antes e uma botina depois. Em 94 veio um novo governante que imaginávamos que teríamos uma nova relação política, e de repente a coisa começou bem e envelheceu rapidamente. Está aí o resultado. Hoje temos dois ex-governadores que são candidatos, que já foram reprovados, derrotados pelo povo do Paraná como candidatos a governador logo após a entrega do mandato e temos um governo no seu segundo mandato. Naquilo que tem e o que passou tem coisa boa? Tem, ninguém pode negar que tem essa ou aquela política adequada a esse ou aquele setor, mas o resultado é muito negativo.
Folha - Em um eventual governo do senhor, haverá um loteamento das secretarias entre os partidos coligados?
Bueno - Nós vamos fazer a busca de uma proposta de centro-esquerda moderna, avançada, que dê transparência, que tenha a ética da política como fundamento maior daqueles que não tem nada a esconder. Eu estou propondo que abram as contas de campanha, que dê transparência. Eu estou abrindo. Se o candidato não quer abrir sua conta de campanha, imagine se eleito, o que ele vai fazer com o dinheiro do povo. Será que a sociedade não vai tomar consciência disso? Você monta uma estrutura de governo trazendo para essa realidade, uma ampla reforma administrativa, que tenha o estado funcionando com a sua capacidade de resolver os graves problemas.
Folha - Os últimos dados das pesquisas animam ou desanimam o senhor?
Bueno - Me anima muito e te dou o fato. Há um mês e meio, o Ciro Gomes era o último colocado, perdia para o Garotinho, Lula e Serra, mas era o menos rejeitado. Eu estou em último lugar, e sou o menos rejeitado. Hoje o Ciro pode chegar ao segundo turno.
Folha - E quando isso pode refletir na sua campanha?
Bueno - Assim que abrir a mídia eletrônica no Paraná. Abriu um pouquinho. Se esse espaço tivesse sido aberto há um mês e meio eu não tenho dúvida que estaríamos hoje disputando o primeiro lugar porque o povo do Paraná não quer votar nos ex-governadores e não quer votar no candidato do governador, tanto é verdade que tem 66%, nessa mesma pesquisa que você fala, que ainda não decidiu em quem votar para governador. Se são 100% conhecidos, por que não conquistaram esses votos? (Colaboraram Walter Ogama, Lucília Okamura e Cláudio Osti)

mockup