Falsa bomba cancela agenda de FHC
A ameaça da explosão de duas bombas, uma próxima ao gabinete do presidente da República e outra ao do ministro da Fazenda, fez com que o presidente Fernando Henrique Cardoso cancelasse sua agenda ontem à tarde. Pelo mesmo motivo, o prédio do Ministério da Fazenda foi evacuado.
A Polícia Federal recebeu no início da tarde de ontem um telefonema anônimo, anunciando a existência das duas bombas. Um homem, que disse estar ligando de São Bernardo do Campo (SP) e ser integrante de um suposto Movimento de Revolução Social, também telefonou para algumas redações de jornais - entre elas a da Folha de S.Paulo.
No Ministério da Fazenda, o esquadrão antibombas da Polícia Militar e agentes da PF decidiram pelo esvaziamento do prédio. Todos os funcionários deixaram o edifício por volta das 15h.
No Palácio do Planalto, aconteceu o contrário. Os funcionários não foram alertados do perigo nem a PF ou a PM foram autorizadas a vistoriar o prédio. Em vez disso, agentes do Exército que fazem a segurança diária de FHC vistoriaram os jardins e apenas algumas áreas do prédio. Os seguranças utilizaram lanternas e detectores de fumaça e gases para fazer a vistoria no Planalto e arredores.
Segundo a assessoria de imprensa do Planalto, com base em informações da segurança, o prédio foi vistoriado - apesar da presença dos funcionários. Além disso, a informação é que não haveria problemas pois qualquer volume que chega ao prédio é fiscalizada por máquinas de raios X. Segundo a denúncia anônima, o Movimento de Revolução Social reuniria cerca de 1,5 milhão de desempregados em todo país e estaria presente em 15 Estados. O homem afirmou que preferiu alertar a PF sobre a bomba porque o objetivo delas não era causar mortes, mas sim o de alertar FHC para a necessidade de uma mudança econômica global e de lutar contra o desemprego.
A ameaça de bomba mudou a rotina do Ministério da Fazenda e do Planalto. FHC, que tinha audiência marcada para as 16h com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, cancelou o encontro e não voltou ao Planalto após o almoço, ficando no Palácio da Alvorada. A assessoria de imprensa da Presidência negou que a ameaça de bomba tenha mudado a rotina de FHC, mas não justificou as razões de ele não cumprir a agenda e não retornar ao Planalto.
Já na Fazenda, o secretário-executivo do ministério, Pedro Parente, deslocou seu gabinete para o prédio anexo, onde trabalhou normalmente. Malan e o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, não tiveram de mudar suas rotinas porque estavam foram de Brasília. O diretor do Instituto Nacional de Criminalística da PF, Antônio Augusto Araújo, disse que ameaças de bombas, como a ocorrida ontem, são habituais em Brasília. Nada foi encontrado, nada explodiu.Renata Giraldi,
William França,
Denise Chrispim Marin
e Shirley Emerick
Agência Folha





