Falhamos porque cobramos pouca celeridade
Os prejuízos que um eventual mandato-tampão podem trazer a Londrina vão muito além da impossibilidade de se estabelecerem no início da próxima gestão, por exemplo, obras e projetos. Da mesma forma, o impasse não afeta apenas a transição de um governo para o outro e a composição prévia do futuro secretariado municipal: ao contrário, o dano, de algum modo, é conseqüência da pouca ou nenhuma cobrança para que os processos judiciais tenham um julgamento mais célere que o de costume.
A análise de mão-dupla é do coordenador da Comissão de Administração Pública da subseção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina, Luís Hasegawa. Na avaliação dele, a demora no julgamento dos embargos à cassação do registro de Antonio Belinati (PP), pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prejudica a cidade, em uma análise imediatista, mas traz consigo ainda a necessidade de outras cobranças, mais amplas.
Pelo que tenho acompanhado desse processo do Belinati, percebo que a análise até que não está lenta mas a sociedade como um todo precisa exigir mais celeridade nos julgamentos. São demoras assim que criam essa insegurança para os eleitores, mas a lentidão nos processos judiciais não vem de hoje, apontou. A população só está indignada porque (a demora no caso Belinati) causa um prejuízo direto mas isso acontece há muito tempo; falhamos porque cobramos com pouca força.
Por outro lado, Hasegawa admite que a organização da sociedade civil por mais agilidade nos trâmites judiciais passa, necessariamente, por um melhor aparelhamento da máquina judiciária. Essa cobrança tem de ir também no sentido de se viabilizar uma estrutura condizente à demanda. Temos contato com juízes e desembargadores e sabemos que estão trabalhando no limite, disse. (J.G.)





