Curitiba - No último dia 7 de maio o veículo Volkswagen Passat dirigido pelo então deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho colidiu violentamente com um Honda Fit na esquina das ruas Ivo Zanlorenzi com Paulo Gorski, em Curitiba, deixando dois mortos e muitas dúvidas sobre a eficiência do sistema de monitoramento eletrônico de velocidade das vias da cidade. O veículo em que estava o deputado não foi registrado pelos radares da rua em que aconteceu o acidente.
A ausência do Passat preto de Carli Filho nos registros da Urbanização de Curitiba (Urbs) não seria um caso único. Segundo Rosangela Battistella, diretora de Trânsito da Urbs, existe a possibilidade de um veículo não ser registrado pelos equipamentos. ''Depende das condições do local, de como ele trafegou na via e de outras variáveis'', explica.
Entre as situações em que a falha pode ocorrer Rosangela aponta o trânsito de veículo entre faixas ou a passagem de dois veículos ao mesmo tempo nos sensores do equipamento. Procurado pela reportagem da FOLHA, o diretor comercial da Consilux, responsável pelos 110 radares instalados em Curitiba, admitiu que o problema existe. ''Não sei se deve ou se pode ser divulgado isso'', declarou.
A falha nos equipamentos da Urbs foi apontada pelo perito Walter Kauffmann, contratado pela família de Gilmar Rafael Yared - que morreu no acidente - para investigar as condições da colisão. Segundo Kauffmann, os registros apresentados pela Urbs mostram que há veículos que desaparecem da via. ''O carro é registrado pelo primeiro e pelo terceiro radar, mas passa incógnito pelo segundo'', explica.
A falha aconteceria tanto com veículos que estão dentro do limite de velocidade quanto com os que ultrapassam a velocidade da via. Isso porque os radares instalados em Curitiba contam com um sistema que além de documentar os carros que estão acima do limite de velocidade, também possuem um sistema de registro da placa de outros veículos que transitam pela via.
Outro limitador da ação do radar seria a faixa de leitura do equipamento. Segundo a portaria do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) de registro dos equipamentos utilizados em Curitiba, da empresa Consilux, a faixa de leitura dos radares vai de 1 a 250 km/h.
''Todo equipamento desse gênero é submetido a ensaios que determinam as condições de uso e os parâmetros de atuação dele'', explica Eduardo Oliveira, chefe da Divisão de Instrumentos de Medição de Comprimento e Força do Inmetro. Antes de serem liberados para comercialização, os radares precisam ser analisados pela instituição, que emite uma portaria contendo todos as informações sobre o protótipo.
Segundo Oliveira, em geral a faixa de leitura dos radares aprovados pelo Inmetro supera os 300 km/h. ''O comum é estar acima disso, o que atende as necessidades da fiscalização de velocidade em áreas urbanas'', aponta.
A faixa de leitura do equipamento só é testada na aprovação do modelo pelo Inmetro. Depois de certificado, os radares precisam ser submetidos a verificações anuais pelo Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem).
Em Curitiba, os radares jamais registraram o trânsito de veículos acima de 200 km/h. ''Nós já flagramos motoristas a 180, 170 km/h na Avenida das Torres. Mas não houve registro acima disso'', informa Rosangela.
A hipótese do Passat de Carli Filho ter superado o limite do equipamento de fiscalização eletrônica é descartada pelo perito do Instituto de Criminalística, Marco Aurélio Pimpão. ''Mesmo que o carro tenha sido alterado dificilmente chegaria a uma velocidade superior a 240 km/h'', diz.
''Estamos analisando o veículo para determinar se houve alteração no motor, mas também estamos trabalhando nos dados da Urbs para verificar se houve falha no sistema de registro'', explica Kauffmann. Ele espera concluir os trabalhos de perícia nos próximos dez dias.

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