Falha de Cunha adia votação de parecer na CCJ
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quarta-feira, 28 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília - Uma ''bolada nas costas'' do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), impediu que a base aliada obtivesse ontem a primeira vitória nas votações das reformas constitucionais. Numa evidente demonstração de falta de sintonia com a liderança do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ele convocou os deputados que estavam nas comissões para a ordem do dia do plenário justamente no momento em que seria iniciada a votação do requerimento suspendendo a discussão do parecer do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) sobre a reforma tributária. O que pode atrasar o calendário de votações previsto pelo governo.
O regimento da Câmara privilegia a convocação do presidente ao plenário, impedindo, na prática, a realização de votações nas comissões. Na CCJ, ontem, a aprovação do requerimento abriria a possibilidade de votação do parecer de Serraglio e permitiria cumprir o cronograma das reformas na comissão, previsto para terminar na primeira semana de junho.
A ação de Cunha provocou a ira dos líderes governistas e constrangimento do coordenador na bancada, o vice-líder do governo, Professor Luizinho (PT-SP). ''Essa foi uma bolada nas costas'', reclamou o líder do PSB, Eduardo Campos (PE), ao vice-líder.
''Só no PT mesmo para convocar os deputados para votação de um destaque do PSDB no plenário'', criticou o líder do PTB, Roberto Jefferson (RJ), a jornalistas. ''Tinha de deixar esse destaque para votar às 11 horas da noite.'' Jefferson referia-se à ordem do dia do plenário que previa a votação da proposta do PSDB de aumentar o salário mínimo para 252 reais.
''Eles erraram e eu aproveitei o erro'', comemorou o líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA). Foi ele quem apresentou a questão de ordem que obrigou o presidente da CCJ, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), a suspender a sessão.
Apesar de constrangido por não saber explicar o mal-entendido - ''Não fui informado a tempo'' -, Professor Luizinho afirmava que hoje cedo requerimento, parecer e destaques serão votados.
Mas, sem articulação com o presidente da Câmara, a base corre o mesmo risco de ontem, uma vez que a sessão do plenário hoje também é de manhã.


