Falha de comunicação faz segurança ser preso e solto na mesma tarde
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Uma falha de comunicação entre a Vara de Execuções Penais (VEP) do Estado e a Vara da Auditoria Militar do Paraná fez ontem com que agentes da Polícia Federal (PF) e da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) prendessem no início e soltassem no fim da tarde o segurança Sidney Francisco de Souza.
Funcionário de uma agência de câmbio e turismo em Londrina onde foi preso sexta-feira passada o empresário Benedito da Costa, por suposta lavagem de dinheiro e porte ilegal de armas, Souza foi apontado por uma fonte que não quis se identificar como suspeito de participação no esquema porque no dia da operação teria ''sumido'' do estabelecimento antes que os policiais chegassem.
Segundo o promotor Cláudio Esteves, da PIC, o segurança é ex-policial militar e tinha um mandado de prisão expedido pela Auditoria Militar em janeiro de 2003. Contudo, o órgão concedeu a ele o direito de responder o processo em liberdade. Conforme Esteves, a Auditoria Militar não teria notificado a VEP, que manteve a ordem de prisão. Preso por volta do meio-dia no Centro de Londrina, Souza permaneceu na carceragem da PIC até o início da noite e seria levado ainda ontem, se não chegasse o aviso de Curitiba à Casa de Custódia de Londrina (CCL).
''A PF levantou no sistema que ele deveria estar preso, quando na verdade não deveria. A VEP da capital mandou revogar o mandado e nós perdemos uma tarde toda em diligência nesse caso'', reclamou Esteves. ''É uma salada de fruta essa falta de comunicação. E se o rapaz fosse preso em outro Estado? Certamente, não ficaria preso só uma tarde'', criticou.
Sequer o juiz da VEP de Londrina, Roberto do Valle, sabia do caso. ''Só recebi a ordem de soltura no fim da tarde, nem sei por qual delito ele respondia'', disse o juiz. A Folha tentou contato com representantes da VEP e da Vara de Auditoria Militar, em Curitiba, mas devido ao horário ninguém foi localizado.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, informou que Souza foi expulso da corporação em 25 de abril de 1995 ''a bem da disciplina e da moralidade da tropa'', após avaliação do Conselho de Disciplina devido a transgressões disciplinares cometidas por ele.


