O governo alagoano quebrou e começa a arrastar o resto do Estado. Após décadas de crescimento superior à média nacional, o PIB (Produto Interno Bruto) de Alagoas teve o pior desempenho do Nordeste em 1996: aumentou 3%. Do lado estatal, o quadro é de falência: o governo do Estado atrasa até oito meses de salário dos funcionários públicos, não paga os credores e se apropria de verbas que são das prefeituras. Só de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) da Prefeitura de Maceió, foram cerca de R$ 3 bilhões que deixaram de ser repassados este ano.
Isso resultou numa intervenção branca do governo federal, na semana passada. Para não perder o cargo, o governador Divaldo Suruagy (PMDB) cedeu os anéis: a União indicará nomes para as secretarias mais importantes.
O não pagamento dos salários fez disparar a inadimplência no comércio e provoca o fechamento de lojas populares. ‘‘A crise em Alagoas é do Estado. O problema é de gerência’’, diz Herodoto Moreira, coordenador do Departamento de Informação para o Planejamento da Sudene.
Apesar de alguns avanços econômicos, em decorrência do incentivo da União aos produtores de álcool, Alagoas começou a entrar na crise mais aguda há três anos. Em 1994, no final da gestão de Geraldo Bulhões, o governo estadual atrasou dois salários do funcionalismo. Após a posse de Suruagy, a crise piorou. No início de 1995, apesar de ter herdado uma dívida salarial do antecessor, o novo governador ratificou um aumento autoconcedido pelos deputados estaduais logo no começo de seu mandado. Foi o prenúncio do fim. ‘‘A folha de pagamentos saltou de R$ 29 milhões, em dezembro de 1994, para R$ 44 milhões em fevereiro de 1995. É que todos os salários estão engessados’’, conta o secretário estadual de Planejamento da época, Jorge Toledo. Os salários dos deputados condicionam os dos secretários estaduais, que, por sua vez, balizam os dos coronéis da PM e dos procuradores. A corrente da felicidade prossegue até os níveis mais iniciais do funcionalismo, explica. Toledo deixou o cargo, segundo ele, por achar que o governo está contaminado pela idéia de que o setor público, através do pagamento de salários, deve sustentar a classe média urbana de Maceió.
No final de 1974, o governador Afrânio Lages terminou seu mandato com apenas 17 mil funcionários no Estado, conta Gilberto Braga Melo, ex-secretário estadual da gestão Fernando Collor de Mello. No atual governo Suruagy (PMDB), a máquina estatal chegou a 77 mil empregados. Cresceu quase cinco vezes em 20 anos. Nesse meio tempo, Suruagy (então na Arena e, depois, no PDS) foi governador mais duas vezes: de 1975 a 1978 e de 1983 a 1986. ‘‘Em 1982, o governo do Estado tinha superávit de recursos. A maior contratação de pessoal foi nesse período: mais de 20 mil pessoas até 1986’’, afirma a prefeita de Maceió, Kátia Born (PSB), que faz oposição a Suruagy. Guilherme Palmeira (PDS) governou de 1979 a 1982. Ia voltar ao cargo em 1987 quando foi derrotado por Collor - que saíra do PDS para entrar no PMDB. Collor de Mello, em 1987. O ex-presidente assinou um acordo com os usineiros que transformou débitos de ICMS em crédito. Até hoje há usinas que não pagam imposto.

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