Curitiba - Os fundos de pensão dos funcionários da Copel e da empresa Binacional Itaipu tiveram perdas avaliadas em R$ 78,6 milhões com a falência do Banco Santos decretada pela Justiça, anteontem. Por incrível que pareça, a decretação da falência foi comemorada porque ela estanca as perdas de aproximadamente 50 fundos públicos de pensão que investiram no banco, disse a presidente da Fundação Itaipu, Margaret Groff.
Segundo Groff, enquanto o Banco Santos estava sob o sistema de liquidação judicial do Banco Central (BC), ele continuava gerando custos que eram bancados pelos créditos a receber que a instituição tem direito. ''Fomos prejudicados, mas no momento a falência é a única saída'', conformou-se Groff. A direção da Fundação Copel não quis se pronunciar.
Conforme informação obtida pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR) junto ao BC, no dia da liquidação do Banco Santos, em novembro de 2004, a Fundação Copel tinha R$ 51,75 milhões aplicados em fundos de investimentos e em papéis CDBs. A Fundação Itaipu tinha R$ 16,86 milhões e a Fundação Sanepar, R$ 59,41 milhões aplicados no banco. A Fundação Sanepar foi a única que transferiu os investimentos a outro banco, porque sua aplicação permitia a mudança de gestor.
De acordo com a presidente da Fundação Itaipu, foi constituído um grupo entre os grupos de pensão que está avaliando as estratégias judiciais que podem recorrer para reaver o dinheiro investido. Groff acredita que com a recomposição dos créditos que o banco tem a receber, os credores podem receber entre 10% a 25% dos valores investidos.''Vamos procurar receber esse dinheiro porque ele está em algum lugar'', disse.
Segundo Grof, a Fundação Itaipu não tem pressa e vai lutar para recuperar o que foi perdido. Ela salientou que no período da aplicação no Banco Santos, o banco estava avaliado como baixo risco para um período de 90 dias. A liquidação ocorreu justamente no meio desse período, informou. Grof disse ainda que a Fundação Itaipu tem um patrimônio avaliado em R$ 1 milhão, percentencente aos 2.700 participantes. Desse total, 15% estavam aplicados em CDBs, distribuidos em 20 instituições bancárias, entre eles o Banco Santos.
Em entrevista ao jornal ''O Valor'', o liquidante do banco Vânio Aguiar disse que a falência do Banco Santos já entra no regime da nova Lei de Falências, que vai ajudar pouco os credores da instituição. O rombo do banco foi avaliado em R$ 2,9 bilhões. Aguiar estima que o calote será de pelo menos R$ 2,6 bilhões.

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