Brasília - A descoberta de que a Kroll mantinha uma rede de espionagens ilegais no Brasil ocorreu durante as investigações da falência da Parmalat. Uma das testemunhas, Adelson Pugliese, estava sendo pressionado por Tiago Verdial, funcionário da Kroll. Ao investigar Verdial, a PF desvendou todo o esquema de espionagem montado pelo Opportunity.
O material apreendido na Operação Chacal mostrou que pelo menos cinco espiões trabalhavam em parceria com Verdial. O mais atuante deles era a espiã Júlia Marinho da Cunha. O grupo era subordinado a Willian Peter Goodal, o Bill, egresso do serviço secreto britânico.
Os relatórios produzidos por Verdial, Júlia e Maria Paula, outra espiã, eram passados a Bill, que os mandava aos escritórios da Kroll internacional nos Estados Unidos e na Inglaterra e também para os contratantes DD e CC. A PF descobriu que o Citibank também recebia cópias e vai abrir uma linha de investigação para saber se a instituição se beneficiou e fez uso das informações da quadrilha.
Esta semana, uma equipe da Diretoria de Inteligência da PF foi ao Rio interrogar Dantas e Carla Cico e também Nelson Tanure, um dos alvos bisbilhotados pelo grupo. Dantas, porém, não apareceu e seus advogados estão retardando a apresentação, durante a qual o empresário deve ser indiciado. A PF ofereceu a Carla o benefício da delação premiada, pela qual ela pode ser excluída da denúncia se decidir colaborar. (V.M.)

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