Falas de senadores indicam maioria pró-impeachment
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terça-feira, 09 de agosto de 2016
Débora Álvares, Mariana Haubert e Daniela lima<br>Folhapress 

Brasília - A fase de discursos no plenário do Senado nessa terça-feira (9) mostrava um cenário majoritariamente pró-impeachment. Ao final da sessão, haverá uma decisão por tornar ou não a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) ré no processo que julga seu afastamento da Presidência da República. Até às 19h30, 47 senadores estavam inscritos para falar - 28 já haviam falado, 17 a favor do impeachment e 11 contrários.
O Palácio do Planalto, sob comando do presidente interino Michel Temer (PMDB), esperava obter cerca de 60 votos nessa fase do processo. Aliados de Dilma acreditam que essa contabilidade é viável e admitem que, caso esse cenário se concretize, será difícil mudar posicionamentos para a última fase, o julgamento de fato.
Para acelerar o ritmo de votação, alguns partidos convenceram integrantes a desistirem de seus discursos ou a falar por menos tempo. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se envolveu diretamente nessas negociações, com a intenção de terminar a votação da chamada pronúncia ainda no final da noite de ontem.
Em nome de seis dos 11 senadores do PSDB, o presidente da legenda, Aécio Neves (MG), reiterou o discurso a favor da saída definitiva de Dilma do cargo, ressaltando que o relatório do correligionário Antônio Anastasia (MG) deixou clara a prática dos crimes pelos quais a petista é acusada - as chamadas pedaladas fiscais e a edição de créditos suplementares.
Apesar da tentativa de acelerar a sessão, nem todos os tucanos aceitaram abrir mão de seus apartes, caso de Lúcia Vânia (GO), que também se posicionou a favor do impeachment.
No DEM, a intenção é que somente o presidente, José Agripino (RN), e o líder no Senado, Ronaldo Caiado (GO), falassem - eles subiram à tribuna e destacaram posicionamento pró-afastamento de Dilma. Outros dois integrantes do partido não se manifestariam.
No PMDB, partido do presidente em exercício, Michel Temer, também há um movimento para menos parlamentares discursarem. Antes de anunciar o segundo intervalo, dessa vez por meia hora, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, anunciou que Eunício Oliveira (CE), desistiu de sua fala. O líder do PMDB, inclusive, afirmou que outros oito senadores abririam mão de discursar.
Até o senador Fernando Collor (PTC-AL), que não costuma deixar suas opiniões claras nos discursos, insinuou que votará pelo impedimento. "Quando forças se removem, esperanças se concretizam. Mas antes é preciso virar essa página", afirmou o final de sua fala.
Também se posicionaram a favor do impeachment: José Medeiros (PSD-MT), Gladson Cameli (PP-AC), Wellington Fagundes (PR-MT), Lúcia Vânia (PSB-ES), Cidinho Santos (PR-MT), Hélio José (PMDB-DF), Simone Tebet (PMDB-MS), Cristovam Buarque (PPS-DF), Ana Amélia (PP-ES), Reguffe (sem partido-DF) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Já a favor de Dilma, contra seu afastamento definitivo do cargo, se colocaram Paulo Paim (PT-RS), Fátima Bezerra (PT-RN), João Capiberibe (PSB-AP), Kátia Abreu (PMDB-TO), Paulo Rocha (PT-PA), Telmário Mota (PDT-RR) e Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM).
Segundo Vanessa, última a falar antes do intervalo, o relatório pelo impeachment é "fraudulento". "Faz mil e um malabarismos, mas não consegue responder o mais simples". Ela criticou as manobras para acelerar a votação. "Estão abrindo mão de seus pronunciamentos porque não têm o que dizer. Só sabem falar do conjunto da obra."
Após a fase de discursos, acusação e defesa teriam ainda, cada um, meia hora para colocar seus pontos de vista. Na sequência, haveria o pronunciamento das partes a fase de encaminhamento, última antes da votação: dois oradores da defesa e dois da acusação poderiam a usar a palavra por cinco minutos, cada. Só então o painel seria aberto a voto.


