Fala de Dilma infla mobilização, dizem cientistas políticos
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segunda-feira, 09 de março de 2015
Ana Fernandes<br> Agência Estado 
Rio - O pronunciamento da presidente Dilma Rousseff (PT) veio no momento e da forma errada, correndo risco de inflar os protestos de impeachment marcados para o próximo dia 15, segundo avaliação de cientistas políticos. "Tem sido difícil entender as decisões do núcleo político de Dilma. Ela some quando tem que falar e fala quando não precisa, além de falar mal", afirma Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas. Para Teixeira, a articulação do Planalto, comandada pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, está cada vez mais desconectada de uma busca factível por governabilidade.
Teixeira avalia que Dilma cometeu dois erros no discurso que ajudaram a inflar os panelaços. O primeiro foi argumentar que não havia como prever os efeitos sobre a crise econômica no Brasil e o segundo foi tentar dividir a responsabilidade com a população. "Ela infla também a lógica binária, do nós versus eles, do rico versus pobre, o que pode ser prejudicial ao governo nos protestos do dia 15 e também na manifestação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no dia 13."
O cientista político do Insper e colunista do jornal O Estado de S.Paulo, Humberto Dantas, também acredita que a fala de Dilma mais a prejudica que a beneficia, especialmente em um momento crítico para o governo no cenário político e no cenário econômico. "Isso me lembra aquele momento da Dilma na Copa, em que as declarações e aparições dela instigavam mais manifestações contrárias e até agressividade", diz Dantas.
Rodrigo Rossi Horochvski, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), lembra que manifestações marcadas pela internet são de difícil previsibilidade, mas que neste momento, em que a população começa "a sentir no bolso", os protestos do dia 15 podem ganhar proporção grande. "Tem um grande potencial de mobilização, dado o momento. Temos que lembrar que na época do mensalão, no governo Lula, a situação econômica era bem melhor", disse o professor.
Ao esclarecer que não estava entrando no mérito, Horochvski, que fez estudos sobre as manifestações de 2013, lembra que naquela ocasião a pauta era difusa e partia de segmentos à esquerda, como o Movimento Passe Livre. Agora, explica, a pauta é mais claramente conservadora, o que também pode trazer um potencial de aglutinação.


