Faiad recua em pedido de demissão
Leandro Donatti
De Curitiba
Ao perceber que tem chances de permanecer no Ministério da Agricultura, mesmo com a troca de ministro, o secretário nacional de Política Agrícola, o paranaense Ibrahim Faiad, recuou e guardou no bolso ontem pedido de demissão que seria entregue ao novo ministro Marcus Vinicius Pratini de Moraes. Faiad redigiu o documento no final de semana, depois de ter refletido sobre a saída de Francisco Turra e sua efêmera atuação no cargo. Faiad responde pela Secretaria de Política Agrícola desde maio.
O recuo do paranaense foi a pedido do comando nacional do PPB, que reuniu-se pela manhã em Brasília para tratar da questão. O presidente nacional em exercício, Pedro Correia, e o líder do PPB na Câmara Federal, Odelmo Leão, entendem que os secretários nacionais devem permanecer nos cargos como se nada tivesse acontecido, até uma manifestação oficial do novo ministro. Os dois tinham encontro agendado para à noite com Pratini de Moraes. Faiad abortou seu pedido de demissão, depois de um contato telefônico.
As declarações do governador Jaime Lerner (PFL), que até ontem não havia se manifestado sobre o assunto, também alimentaram as esperanças de Ibrahim Faiad. O governador disse ontem no Palácio Iguaçu que vai ligar para o ministro da Agricultura e recomendar a permanência de Faiad no cargo. Se for feita Justiça, ele vai ficar. É um homem muito respeitado, com profundas relações com a Agricultura. Vou conversar com o novo ministro sim, prometeu.
O governador elogiou a reforma ministerial anunciada pelo presidente Fernando Henrique. A mudança foi positiva. Fortaleceu a base política do presidente. Tenho a certeza que, com essas mudanças, o governo central fica mais forte e cria um novo momento importante para o País.
O secretário da Agricultura, Antonio Leonel Poloni, também se somou ao discurso do governador. Logo pela manhã, distribuiu nota defendendo a manutenção de Faiad na Secretaria de Política Agrícola. O secretário falou com Faiad pelo telefone. Segundo relato de fontes da Folha, na conversa, Faiad manifestou sua disposição em abrir mão do cargo.
O secretário de Política Agrícola passou o dia recebendo lideranças em seu gabinete em Brasília, na tentativa de segurar-se no cargo. Não tem uma definição ainda. Como bom soldado, permaneço no cargo, cumprindo a minha função, declarou Faiad à Folha. Se não permanecer na função, Faiad pode ser reacomodado no governo Lerner, como presidente da Agência de Fomento.





