A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) decretou uma ofensiva em resposta à campanha ''O Porto é Nosso'', estimulada pelo governo do Estado. A Faep decidiu reunir farta documentação emitida por entidades que apontaram irregularidades no porto num único dossiê para denunciar os prejuízos dos produtores rurais, provocados pela administração do porto.
Os produtores alegam que no ano passado tiveram prejuízos avaliados em R$ 1,5 bilhão, com a perda de R$ 8,65 em média por saco de soja comercializado no Interior. As perdas se acumularam com o mau funcionamento do porto, explicou o assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque. Ele lembrou o prêmio negativo para a soja no ano passado e as filas de navios e caminhões exigiram o pagamento de ''demourage'', diárias dos navios que chegaram a US$ 45 mil por dia. Todos esses custos foram descontados da saca de soja, explicou.
''Não queremos a privatização do porto, até porque quase todos os terminais já são privados'', disse Albuquerque. Segundo ele, os produtores querem liberdade para exportar a soja transgência pelos terminais que já são da iniciativa privada. ''O porto público pode continuar com a exportação exclusiva de soja convencional'', disse.
O dossiê revela as irregulariedades apontadas por órgãos federais, como a Agência Nacional de Trasnportes Aquaviários (Antaq), Tribunal de Contas da União, Ministério da Marinha, Receita Federal, Conselho de Autoridade Portuária (CAP), assim como as denúncias levantadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Assembléia Legislativa do Paraná, e Tribunal de Contas do Estado.
O dossiê pretende desmistificar, ainda, a história da construção do Cais Oeste. Segundo a Faep, o Ministério dos Transportes não aprovou a construção porque o projeto foi criticado pelos engenheiros do porto, que apontaram diversas falhas. E também porque não foi submetido ao Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT).
Segundo a procuradora jurídica do Porto de Paranaguá, Stella Figueiredo, frequentemente o órgão vem se defendendo de todas as críticas, das quais têm sido alvo. Sobre os prejuízos dos agricultores, decorrentes das filas e do prêmio negativo, argumentou que elas foram provocadas por falta de apoio na logística que implantou o sistema de carga on-line, que compatibiliza a ordem de descida dos caminhões com a atracação dos navios. ''Pessoas irresponsáveis desafiaram o sistema'', alegou.
Sobre a exportação de soja transgênica, o porto alega que não tem condições de fazer a segregação com a soja convencional, como exige a legislação e os compradores.
Em resposta à iniciativa do senador Omar Dias (PDT-PR), a Comissão de Constituição de Justiça e Cidadania, do Senado, aprovou a realização de uma audiência pública sobre o Porto de Paranaguá, para poder instruir o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que susta o convênio em que a União delega a administração do porto ao governo do Paraná.

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