Faep e Ocepar temem desemprego no campo
Curitiba - Para fechar as discussões em torno da implantação do salário mínimo regional de R$ 437 os deputados estaduais ouviram ontem a Federação dos Agricultores do Estado do Paraná (Faep) e o Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) sobre a questão. As duas entidades defenderam que o novo salário é impraticável no campo e que pode gerar desemprego. A Faep fez uma pesquisa com cerca de 1,8 mil agropecuaristas de 60 municípios do Estado sobre a crise no campo e, entre outras coisas, constatou que 62% podem demitir caso o
novo salário seja implantado.
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, afirmou que diante da crise que o campo vive hoje os produtores não podem pagar um salário maior. Apesar de o salário mínimo regional valer apenas para as categorias que não possuem dissídio coletivo, que não é caso dos trabalhadores rurais, Meneguette afirmou que o grande problema é que ninguém vai querer ganhar menos do que isso no Estado, pressionando os patrões na próxima convenção coletiva. Em boa parte do seu discurso o presidente da Faep referiu-se
à crise e ao mercado do produtor rural, que classificou como imperfeito.
O discurso do presidente da Ocepar, João Paulo Kosloswski, seguiu a mesma linha da Faep. Segundo ele o setor não tem condições de arcar com o novo salário mínimo regional porque teve perda de renda. Nas últimas duas safras foram perdidos 10 milhões de toneladas de grãos. Isso equivale a meia safra do Paraná. É muita coisa. E o dólar está em queda, o que dificulta mais ainda, explicou. Kosloswski disse ainda que os preços agrícolas caíram no último ano entre 30% e 60%.
Os representantes das duas entidades discursaram ontem diante das galerias da Assembléia Legislativas lotadas de representantes de centrais sindicais favoráveis à aprovação do mínimo regional. Os sindicalistas, depois de ovacionar deputados que discursaram em favor da medida, chegaram a vaiar Kosloswski. Ao todo nove entidades, patronais e que representam os trabalhadores, puderam expor seus argumentos aos deputados nas últimas duas semanas. (A.B.)





