Curitiba - Um estudo realizado por técnicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fundação de Pesquisas Florestais e Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) demonstrou uma das maiores depredações ambientais já ocorridas no Estado num prazo de seis anos. De acordo com os registros feitos por satélite, as áreas da Fazenda Rio das Cobras, da empresa Araupel, onde estão instalados os assentamentos Ireno Alves e Marcos Freire sofreram uma devastação de 10.614,19 hectares de floresta nativa. Dos 13,8 mil hectares existentes em 1996, restariam apenas 3,2 mil hectares de floresta nativa no ano de 2002.
Mais de 70 espécies de mamíferos e 300 espécies de aves foram destruídas com a devastação, segundo o estudo assinado pela bióloga Tereza Critina Castelano. Ainda sobraram 11% de floresta nativa nos assentamentos. A área total da fazenda, que fica entre os municípios de Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a oeste de Guarapuava), Nova Laranjeiras (118 quilômetros a leste de Cascavel), Espigão Alto do Iguaçu (150 quilômetros a leste de Cascavel) e Quedas do Iguaçu (165 quilômetros a leste de Cascavel), é de 87,1 mil hectares. A cobertura florestal original, segundo a pesquisa da UFPR, era composta por uma mata densa de araucária com associações de cedro, cabreúva, canjarana e pau marfim. A fauna era composta basicamente por veado-mateiro, onça-pintada, onça-parda, lontra, porcos-do-mato, anta, capivara, jacutinga, pica-pau-rei e tucano-de-bico-verde.
O estudo foi entregue ontem pelo coordenador da Comissão Técnica de Política Fundiária da FAEP, Tarcísio Barboza de Souza, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os conflitos agrários no Paraná. Foi uma das sessões mais tumultuadas da CPI da Terra, com dezenas de fazendeiros presentes com faixas que criticavam as invasões em todo o Estado. ''O que estou trazendo aqui não é uma denúncia vazia. São provas. Um estudo feito por técnicos competentes. Por que ninguém faz nada contra os invasores? Precisamos de legalidade no estado do Paraná e cumprimento da lei'', complementou Souza.

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