Brasília - Depois de censurar nos bastidores o ritmo acelerado que o Planalto imprimiu na negociação com a França para a compra de 36 caças, o Comando da Aeronáutica estendeu para até dia 2 de outubro o prazo para a apresentação das propostas de venda ao Brasil dos aviões do projeto FX2. O prazo terminaria ontem, mas a prorrogação dele já havia sido acenada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na última sexta-feira.
A primeira nota emitida pela Força Aérea Brasileira, no início da tarde, dizia que a ampliação da data de entrega das propostas atendia a uma solicitação da sueca Saab, fabricante do avião Gripen. Depois, corrigiu dizendo que também a norte-americana Boeing, que fabrica o F-18, e a Dassault, do modelo Rafale, pediram mais tempo para exame e apresentação de ofertas e que, portanto, o prazo estava sendo ampliado para todas as concorrentes.
O pacote de venda dos 36 caças está estimado em 4 bilhões de euros, mas as empresas escondem os preços de seus produtos e o que inclui em cada pacote. O Brasil já manifestou preferência por uma parceria estratégica com a França.
No dia 18, a França já havia apresentado um novo pacote de ofertas, incluindo as exigências feitas pelo governo brasileiro e reclamadas por Lula durante a negociação com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, sobre o alto preço das aeronaves e da hora de voo dos caças. Por diversas vezes, Lula e Sarkozy comentaram que este era o único impedimento para o fechamento do negócio. Apesar de já ter apresentado sua nova proposta à comissão da Força Aérea Brasileira (FAB), a Dassault vai usar o novo prazo para verificar se tem mais alguma coisa a oferecer.
A assessoria da Saab explicou que pediu a prorrogação do prazo porque considerou a primeira data estabelecida muito curta para revisão de estudos e apresentação de novas propostas. ''Vamos avaliar mais um pouco'', disse o diretor da Saab no Brasil, Bengt Jáner.
A assessoria da Boeing, por sua vez, informou que não entregou também sua proposta ontem e que ''vai fazer um novo pente fino, revisando cada item para ver o que mais pode oferecer''. A Boeing lembrou que o novo prazo dá uma ''margem mais confortável'' para análise, já que muitas questões em discussão tem a ver com a cadeia de fornecedores que não depende só da Boeing. ''Agora, temos chance de ampliá-las'', afirmou a assessoria da empresa norte-americana.




CAÇAS

Cronologia do processo de seleção dos caças:


1994
- Começa procura por interessados em renovar frota da FAB

2001
- FHC lança programa F-X, de caças

2002
- FHC deixa escolha para o sucessor

2003
- Reaberto processo de escolha; FAB entrega avaliação de concorrentes

2004
- Defesa apresenta projetos de transferências tecnológicas; propostas caducam e governo dá fim ao F-X

2005
- Governo decide comprar 12 Mirage-2000C/B da França

2008
- Governo lança o F-X2; são selecionados o Rafale (França), o Gripen NG (Suécia) e o F/A-18 (EUA)

2009
- Fevereiro: Empresas fazem suas propostas iniciais

- Maio: FAB avalia projetos de transferência tecnológica

- Settembro: Lula anuncia escolha do Rafale; governo recua e diz que processo continua

- Ontem: FAB decide prorrogar entrega das propostas finais, mais abrangentes

Folhapress - 21 de setembro

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