O ex-secretário de Gestão Pública de Londrina Fábio Reali, afastado judicialmente da função pública desde a última terça-feira, prestou depoimento na tarde de ontem ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no inquérito que apura suposto conluio entre empresas que forneceram uniformes escolares para o município no começo do ano. Ele negou ter recebido propina para liberar pagamentos que totalizavam R$ 1,2 milhão para as empresas G8 e Coliseu, conforme suspeita do Ministério Público (MP) do Paraná. As empresas foram contratadas em março.
Com cópias de documentos apontando que ele recebeu o parecer da Controladoria Geral do Município (CGM) apontando ''vícios no processo licitatório'' com dois meses e meio de atraso, o ex-secretário afirmou que ''assim que tomei conhecimento dos problemas, determinei a suspensão dos pagamentos''. Conforme os documentos, a CGM concluiu a apuração no dia 30 de março, porém, o resultado chegou até a Gestão Pública no mês de junho. ''Eu acabei recebendo o documento apenas no começo de julho e assinei a suspensão no dia 17.'' Em justificativa enviada à Gestão, apresentada por Reali aos jornalistas no MP, o controlador Hélcio dos Santos escreve que o atraso no parecer ''deu-se por concluído nesta data por conta do acúmulo involuntário de serviço e principalmente relacionado aos trabalhos de entrega do balanço anual''. Reali evitou críticas à CGM.
Reali também poupou o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) de qualquer envolvimento. ''O único pedido que eu recebi do prefeito foi para agilizar os procedimentos para que o material chegasse aos alunos.'' A licitação tinha valor total de R$ 11 milhões.
Ele confirmou que foi procurado duas vezes pela advogada Ingredy Gonçalves, cobrando a liberação dos pagamentos em favor das empresas. Segundo Reali, as reuniões ocorreram na prefeitura, na presença de assessores, e não teria havido nenhuma proposta ilegal. De acordo com ele, a advogada queria saber o motivo da suspensão. ''Disse a ela que poderia requisitar na Controladoria.''
O ex-secretário, que esteve acompanhado da advogada Cibely Costa de Queiroz, voltou a dizer que a elaboração de orçamentos cabia à Secretaria de Educação. Sobre suposta negligência, por ter firmado contrato com a G8, que já foi citada em ação por improbidade administrativa em razão da ''carona'', Reali alegou que não poderia impedir a participação da empresa porque não há condenação.

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