Curitiba - De volta ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Paraná, o ex-deputado estadual Fabio Camargo pode entrar com um pedido de pagamento retroativo dos salários referentes ao período em que ficou afastado da órgão. Camargo voltou a exercer suas funções de conselheiro após 130 dias de afastamento e deve participar hoje de sua primeira sessão plenária após o retorno.
O advogado Igor Sant’Anna Tamasauskas, que defende o conselheiro, disse que o ex-parlamentar está no "direito dele". "Quem não o deixou trabalhar foi quem entrou com essa ação. É uma garantia dele o cargo e os vencimentos e somente um processo administrativo dentro do TC poderia afastá-lo", explica. Apesar disso, o advogado não deu certeza se haverá de fato esse pedido de Camargo referente aos salários. "Isso é uma decisão de foro pessoal."
Na prática, se houver a solicitação, ele poderia ganhar quatro salários, referentes a dezembro do ano passado e janeiro, fevereiro e março deste ano. Hoje a remuneração fixa do conselheiro é de R$ 25.323,50. Com os descontos, R$ 19.824,02. Segundo a assessoria de imprensa do TC, o órgão faria o pagamento solicitado, dependendo apenas do pedido formal do conselheiro.
A reportagem esteve ontem no gabinete do conselheiro para tentar conversar com Camargo, mas a informação obtida foi que ele estaria em viagem e não concederia entrevistas. O gabinete não informou sobre os motivos da viagem – se particular ou relacionada às atividades no TC. Também procurada, a assessoria de imprensa do órgão disse que não tinha essa informação.
O ex-deputado foi afastado do TC por despacho da desembargadora Regina Afonso Portes, do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. A decisão depois foi endossada pelo Órgão Especial do TJ. No último dia 4, porém, uma liminar deferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o retorno de Camargo ao TC.

Influência no secretariado
A volta de Fabio Camargo ao TC influenciou até mesmo na mudança de secretariado do governador Beto Richa (PSDB). O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, que havia sido exonerado na última sexta-feira, para se candidatar à Assembleia Legislativa pelo PSDB, acabou voltando para o cargo na última segunda-feira.
O ex-reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) desistiu de concorrer ao pleito porque o deputado Plauto Miró (DEM), representante daquela região, decidiu tentar a reeleição. Até sexta-feira, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a recondução de Fabio Camargo ao TC, Plauto Miró tinha intenção de se candidatar ao cargo de conselheiro. Mas acabou desistindo e optando pela reeleição. (colaborou Adriana De Cunto)

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