Ezequias vai acumular cargo de conselheiro na Sanepar
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O secretário especial do Cerimonial e Relações Internacionais do governo do Paraná, Ezequias Moreira Rodrigues, pivô do escândalo conhecido como "sogra fantasma" na Assembleia Legislativa (AL), é o novo conselheiro administrativo da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A nomeação ocorreu no dia 18 de dezembro, no entanto, foi informada apenas ontem, por meio de anúncio publicado em jornais impressos. Ele deve acumular as funções e os salários.
Indicado pela procuradora-geral em exercício, Marisa Zandonai, e eleito por unanimidade entre os nove titulares do colegiado, Ezequias ocupará o lugar de Luiz Antonio Leprevost, que apresentou por escrito sua renúncia ao cargo. O novo membro do Conselho de Administração (CAD) ficará no posto até o dia 28 de abril de 2014, data em que se encerraria o mandato do antecessor.
Conforme o Estatuto Social da Sanepar, o CAD é responsável por determinar as diretrizes e orientação geral para os negócios, além de formular e expressar as políticas da companhia. No informe, a estatal não especifica qual será a remuneração de Ezequias. Procurada pela FOLHA, a empresa argumentou que, como opera em regime de concorrência, prefere não fornecer esse tipo de informação, para não "gerar judicializações ou conflitar (com) o interesse de sócios minoritários". Conforme o Portal da Transparência, no governo do Estado ele recebe R$ 3.928,30 (salário de novembro).
Já a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu disse, por meio de nota, que a nomeação de Ezequias Moreira é "uma substituição natural" de Leprevost, que assumiu a função de diretor-adjunto da Copel Renováveis. De acordo com o Executivo, como já atuou na Sanepar, o novo conselheiro tem "as condições necessárias" para o cargo.
Caso
Em agosto de 2007, uma notícia crime protocolada junto ao Ministério Público (MP) do Estado apontou que a sogra de Ezequias, na época chefe de gabinete do então prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB), hoje governador, recebeu salários da AL, mesmo sem trabalhar, durante 11 anos. Segundo o MP, Ezequias usava Verônica Durau como "laranja" e recebia em sua conta bancária R$ 3,4 mil mensais. Ele foi condenado por ato de improbidade administrativa, na esfera cível, e ainda responde na esfera penal pelo crime de peculato (desvio de dinheiro público).
Na época, a própria Verônica admitiu que jamais trabalhou no Legislativo. Depois que o caso veio à tona, o ex-chefe de gabinete foi exonerado e devolveu espontaneamente pouco mais de R$ 530 mil aos cofres públicos, correspondentes aos salários pagos à sogra, mais juros e correção.
Em 2011, logo quando Beto Richa assumiu o governo do Estado, Ezequias foi nomeado diretor de relações com investidores da Sanepar, cargo que deixou em junho deste ano, quando assumiu o comando da secretaria especial. Como a função no governo tem foro privilegiado, o processo acabou remetido ao Tribunal de Justiça (TJ), que ainda não chegou a uma decisão final. Caso a condenação seja à pena mínima (dois anos), o crime já estaria prescrito desde 2011.


