O apresentador de TV Márcio Mello, de Maringá, obteve ontem o extrato bancário de sua conta corrente no Banco do Brasil no ano de 1997 que, segundo ele, comprovaria a denúncia feita ao Ministério Público (MP), no mês passado. Na época, o apresentor acusou Itaicy Mendonça, chefe de gabinete do reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa, de ficar com um cheque de R$ 7,6 mil, resultado do superfaturamento de um contrato publicitário da instituição com a Rádio Nova Ingá, de Maringá.
‘‘Esse extrato bancário demonstra que no dia 18 de março 97 o cheque voltou pela primeira vez. No dia 20, pela segunda vez. No dia 21, o Pinga-Fogo (ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira, proprietário da emissora) fez o depósito pelo sistema. Ele passou R$ 7,6 mil da conta bancária dele para a minha conta’’, relatou Mello. ‘‘No dia 24, o depósito foi compensado e no dia 25, foi quando eu entreguei o dinheiro para o Itaicy.’’ Cópia do extrato em poder da Folha, enviado por Mello, indica a movimentação do cheque nº 551261 que, segundo ele, foi dado para Itaicy.
Segundo Mello, que era subgerente da Rádio Nova Ingá, o pagamento seria uma ‘‘lavagem’’. ‘‘Ele (Pinga-fogo) pegou um cheque meu, porque não tinha conta em Maringá, e disse que era uma espécie de lavagem’’, afirmou. ‘‘Ele disse ainda que estava fazendo isso para favorecer o Itaicy, porque devia favores para ele’’, justificou.
O apresentador relatou que na época ele negociava contratos publicitários com a mídia. ‘‘Eram contratos de cerca de R$ 400, por ser uma rádio que tinha sido inaugurada recentemente. É óbvio que era superfaturado o pagamento de R$ 7,6 mil’’, concluiu.
Mello disse que somente soube o nome do favorecido na negociação depois que Itaicy foi a Maringá buscar o dinheiro pessoalmente. ‘‘Eu acho estranho a UEL, que é uma universidade estadual, fazer mídia em Maringá, que também tem uma universidade estadual’’, complementou.
Conforme Mello, a ‘‘negociação’’ teria se repetido outras vezes. ‘‘O que falei ficará mais comprovado ainda quando a cópia do cheque for enviada para o MP, porque daí vamos saber para quem foi passado o cheque’’, afirmou. O promotor de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, Bruno Galatti, espera receber a cópia do cheque ainda nesta semana. O MP investiga as denúncias de corrupção na universidade.
Ontem à tarde, o promotor recebeu a visita de membros da Comissão Permanente de Investigação do Conselho Universitário – que também apura as denúncias de irregularidades na UEL. Eles estavam acompanhados da advogada Sonia Regina Arrojo e Drigo, e do auditor Antonio Carlos Cottens de Andrade (ambos de São Paulo), que deverão dar assessoria técnica aos trabalhos.
Sonia trabalha na área criminal há 28 anos e já atuou nas investigações sobre a máfia dos fiscais da Prefeitura de São Paulo. ‘‘A apuração feita pela comissão e pelo Ministério Público está no caminho certo’’, comentou.
Andrade (da Tríade Auditores) afirmou que eles foram chamados para ter uma visão geral sobre as denúncias envolvendo a UEL. ‘‘Vamos estabelecer um plano de trabalho para a comissão e depois apresentar um orçamento’’, esclareceu. Segundo ele, o preço vai depender do nível e da extensão do trabalho que poderá ser desenvolvido. (Colaborou Lino Ramos)

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