O presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), abriu ontem a sessão extraordinária do Legislativo convocada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para a apreciação de medidas provisórias. Trata-se apenas de uma formalidade, pois o Congresso não teve pressa de apreciar as mesmas 75 MPs que estão na pauta quando elas foram reeditadas no final de dezembro. Entretanto, é possível que haja alguma votação para satisfazer a opinião pública, já que os deputados e senadores estão recebendo uma ajuda de custo de R$ 16 mil para abrir mão de 17 dias de recesso parlamentar.
‘‘Tem certas coisas que fazem parte do Estado espetáculo’’, observa o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ), para quem a convocação extraordinária é uma farsa. O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), fala em preparar uma pauta racional e transformar o Congresso em uma tribuna de debates sobre o momento econômico do País.
As articulações em torno das disputas pelas presidências das Mesas da Câmara e do Senado devem ofuscar outras atividades políticas nas próximas semanas. Ontem, ACM movimentou mais uma peça no jogo para tentar impedir que o presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), o suceda na presidência do Senado: o senador baiano distribuiu o livro que escreveu para denunciar o desafeto, intitulado ‘‘Jader, o Brasil não merece’’.
Hoje, o grande fato político é a reunião da bancada de senadores do PMDB, que deverá indicar o candidato do partido à Presidência do Senado, isso se o senador Roberto Requião (PMDB-PR) não conseguir o adiamento pretendido. Depois da reunião da bancada, o PMDB reúne a Comissão Executiva Nacional para referendar a escolha e fechar questão quanto ao apoio dos deputados do partido à candidatura do líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), conforme o acordo de reciprocidade feito pelas cúpulas dos dois partidos.
Também está prevista para hoje a reunião dos coordenadores da bancada do PT na Câmara. Eles vão ‘‘preparar’’ a reunião dos 56 deputados da bancada, que começa a definir seu candidato amanhã. Coincidentemente, a Executiva do PFL também se reúne na amanhã para discutir a sucessão no Congresso.
O vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL-PE) e o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, devem participar da reunião da Executiva do PFL, que poderá definir a última cartada do partido para evitar uma dupla derrota na disputa da presidência das duas Casas. Ao longo da semana, o líder do PFL Inocêncio Oliveira (PE), candidato do partido à sucessão do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), tenta fechar um acordo com partidos de oposição com base em uma plataforma de compromissos.

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