No período de convocação extraordinária, que custa R$ 9,5 milhões só em extras para os parlamentares, deputados e senadores mantêm o hábito de não aparecer em Brasília na segunda e sexta-feira. Desde o dia 1º de julho foram realizadas apenas três sessões. Na sexta-feira e ontem não houve presença suficiente para abrir os trabalhos. No dia 1º cada um dos 513 deputados e 81 senadores recebeu R$ 8 mil, como gratificação pelo início do período extraordinário.
O fato de não ter havido sessão na sexta-feira e ontem atrasou a apreciação da emenda constitucional que prorroga o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) até dezembro de 1999. As duas sessões não realizadas cumpririam o prazo regimental para que a emenda fosse a plenário. Agora, o FEF só poderá ser apreciado na sexta, porque não haverá sessão da Câmara hoje. A reunião da tarde será do Congresso, para examinar medidas provisórias.
A previsão dos líderes, de se terminar a votação da reforma administrativa na quarta, já não é otimista. Eles esperavam votar o ponto mais polêmico - da quebra da estabilidade dos servidores públicos - na quarta-feira. É possível que a apreciação da proposta seja estendida para a quinta. A convocação extraordinária ocorreu principalmente para a votação do FEF, o fundo que permite ao governo certa folga na administração do Plano Real, e da reforma administrativa.
As ausências de deputados aliados ao governo na Câmara têm sido a principal causa das seguidas derrotas do governo na votação das reformas constitucionais. As oposições somam 94 deputados. Destes, normalmente uns 90 estão presentes todos os dias. É a base aliada que não consegue mobilizar seus deputados, mantê-los em Brasília pelo menos nas terças, quartas e quintas e votar as reformas que, dizem todos, são fundamentais para o País.
O terceiro-secretário da Câmara, Paulo Paim (PT-RS), até que tentou ajudar na luta para manter os deputados em Brasília. Ele queria cassar o mandato dos deputados que faltassem a um terço das sessões. Mas percebeu que o regimento interno é benevolente com os gazeteiros. As sessões não-deliberativas das segundas e sextas-feiras servem para contar as presenças. ‘‘Deste jeito, ninguém jamais será cassado’’. afirmou Paim.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), também decidiu dar um aperto nos deputados, para combater as faltas. Ato baixado por Temer determina o desconto de salário de todas as ausências em qualquer votação. Antes, a participação em uma votação no dia servia para confirmar presença. Houve muitas reclamações logo depois da divulgação do ato de Temer. Uma semana depois, a norma já não é temida.
A convocação de julho significou R$ 24 mil no bolso de cada parlamentar, assim distribuídos - R$ 8 mil para o início dos trabalhos, R$ 8 mil no final e R$ 8 mil de salários, normais. Os R$ 8 mil do início foram ganhos integralmente e nunca sofrerão qualquer tipo de corte. No caso dos outros dois, haverá descontos. Mas um atestado médico serve para que as faltas sejam abonadas, embora tenha de ser assinado por três especialistas.
A reforma administrativa começou a ser votada no dia 9 de abril, em primeiro turno. Se a apreciação do primeiro turno for encerrada nesta semana, serão necessárias cinco sessões de intervalo para que possa começar a ser examinada em segundo turno. Significa que se as cinco sessões da semana que vem forem realizadas, a reforma administrativa poderá ser retomada a partir do dia 22. Muitos deputados entendiam que se trabalhassem muito nesta e na outra semana, poderiam folgar a partir do dia 21.

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