'Extorsão era engendrada por agentes da Petrobras'
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba Os advogados de defesa dos executivos envolvidos nas denúncias de desvio de recursos públicos de obras da Petrobras, mantiveram o discurso e, ao término do segundo dia de audiência na Justiça Federal do Paraná, reforçaram as alegações de que os empresários sofreram extorsão por parte de funcionários da estatal petrolífera. "A prova acusatória começou a ruir. Cada vez mais fica claro a insubsistência das acusações do Ministério Público e de toda a prova que foi produzida até aqui. Está ficando comprovando que os funcionários subalternos da Engevix não tinham nenhum vínculo com os fatos que estão sendo apurados. A mentira de que os empresários eram os culpados e os verdadeiros vilões desta história está vindo à tona", disse o advogado Fábio Tofic Simantob, que defende três executivos da empreiteira Engevix. "Havia uma extorsão engendrada pelos funcionários da Petrobras", completou o defensor.
Conforme as investigações, a Engevix teria desviado quase R$ 159 milhões em contratos de obras com a Petrobras. Entre essas contratações estão serviços relacionados a reforma da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária; e a construção de Abreu e Lima, em Pernambuco. Os desvios eram feitos por meio de contratos fictícios com empresas controladas por Youssef e com uma consultoria de Paulo Roberto Costa. A Engevix também responderá por ter apresentado notas fiscais falsas à Justiça Federal.
Na tarde de ontem o juiz federal Sérgio Moro ouviu como testemunhas de acusação a ex-gerente da Petrobras e subordinada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca; a ex-contadora de Alberto Youssef e da GFD Investimentos Meire Bonfim Poza; o "testa de ferro" do doleiro, Leonardo Meirelles; além dos dois executivos da Toyo-Setal que fecharam acordo de delação premiada, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Gerin de Almeida Camargo.
Meire Poza foi a única a falar com a imprensa. Afirmou que a empresa GFD Investimentos emitiu, em nome da empreiteira Engevix, dez notas fictícias no valor total de R$ 2,13 milhões. "Os tipos de serviços que foram descritos nas notas emitidas para as empreiteiras não foram prestados", reforçou. "As notas comprovam que, por algum motivo, deviam algum valor para o Alberto (Youssef). O que ele dizia era para emitir a nota porque a empresa estava lhe devendo determinado valor", completou.
Venina e os executivos da Toyo-Setal deixaram o prédio sem falar com a imprensa. Entretanto, o advogado Haroldo César Nater, defensor de Leonardo Meirelles, que também testemunhou na audiência, informou que o depoimento da ex-gerente da Petrobras foi muito técnico, sem grandes detalhamentos. Ele afirmou que Venina não voltou a citar o nome da presidente da estatal, Graça Foster. "Ela disse que existia uma suspeita sobre possíveis irregularidades dentro da estatal, mas que não tinha certeza sobre o que estava acontecendo", disse.


