Extorsão envolveria desmanches Mauro FrassonMarrom: donos de oficinas pagam taxa mensal de propina à Polícia Rubens Burigo Neto De Curitiba O ex-policial civil Gilberto Chagas Ramos, conhecido como ‘‘Marrom’’, confirmou os nomes dos delegados e policiais citados nos depoimentos anteriores e também relacionou alguns deles com os desmanches de carros roubados em Curitiba, e com o tráfico internacional de cocaína e crack. Ele denunciou os escrivães Edson, da 5ª Vara Criminal, e Paulo, da 1ª Vara Criminal. Segundo Ramos, eles desviariam informações de processos em andamento para os integrantes da ‘‘Firma’’ (auto-denominação da quadrilha de policiais) e também extorquiam dinheiro de usuários. Anteontem, pelo telefone, os dois apontados negaram as acusações. Paulo, que não quis revelar o sobrenome, e Edson Sdroievski disseram que conheceram Ramos porque, como policial, ele conduzia réus para audiências que eles coordenam no Fórum Criminal. Os dois também afirmaram que desconhecem os policiais até agora denunciados na CPI do Narcotráfico. ‘‘Meu relacionamento com os policiais é limitado ao trabalho que presto aqui no Fórum’’, defendeu-se Edson. Ramos foi preso há dois anos com dez quilos de crack e dois de cocaína numa viagem de Joinville para Curitiba. O ex-policial contou que fazia mensalmente quatro ou cinco viagens até a cidade catarinense. Sempre para buscar sempre dez quilos de drogas para os policiais Samir Skaner, Vera Regina Zinculoski e Ali (não forneceu o sobrenome), todos lotados no 12º Distrito Policial, em Santa Felicidade. Vera, afirmou ele, usava travestis para mandar a droga para a Itália por ‘‘50 mil dólares ou reais’’ o quilo. Ramos afirmou que não lembrava qual a moeda usada na transação, mas que o delegado Cícero (do 12º DP) ‘‘sabia de tudo e recebia dinheiro da Vera para ficar quieto’’. Ele disse conhecer oito dos nove donos de desmanches apresentados a ele pelos parlamentares. ‘‘A polícia vê o Caboclinho (dono de desmanche na Avenida Salgado Filho) como um saco de dinheiro. E conheço pelo menos meia dúzia de policiais que fazem segurança para ele e para o Paulo Mandelli (ex-policial civil de São Paulo, também dono de desmanche).’’ Ele revelou que os donos das oficinas pagam uma taxa mensal de propina à polícia, que varia conforme a quantidade de carros roubados que são desmanchados. O ex-policial afirmou ter pago US$ 15 mil de propina aos delegados Gerson Machado e Mário Ramos, quando eles trabalhavam na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, e mais US$ 5 mil ao policial Luiz Carlos Ambruch (da Delegacia Antitóxicos). E citou os nomes dos advogados Antonio Pellizzetti e Luiz Fernando Martins Bonette como participantes da ‘‘Firma’’. Pellizzetti garantiu que apenas tem como clientes os policiais Mauro Canuto e Edimir da Silveira. ‘‘O Canuto está com duas ações cíveis e o Edimir, vou defendê-lo da participação em um homicídio que aconteceu em Colombo’’, explicou Pellizzetti. Bonette não retornou o telefonema da reportagem da Folha.