Para o ex-deputado Juruna, o extermínio do índio no Brasil é uma história que começou com o Descobrimento. Ele afirma que seu capítulo mais trágico, atualmente, ocorre entre os kaiowá que vivem no Mato Grosso do Sul. ‘‘A antiga reserva virou a cidade de Dourados e a pouca área que resta aos índios está cercada de plantações de soja e de trigo. Sem esperança de futuro, muitos preferem o suicídio.’’
Assim como os kaiowá, Juruna diz não acreditar que outros povos indígenas conseguirão resistir ao cerco promovido pelo avanço agrícola dentro das reservas. ‘‘É tudo uma questão de tempo. Cada vez mais a tecnologia tem sido usada para destruir a natureza. Nada satisfaz a vontade dos grandes fazendeiros em aumentar suas terras e seus ganhos. Muito se tem falado em defesa do meio ambiente, mas a desvatação continua’’.
O ex-deputado se coloca como o primeiro índio a deixar sua aldeia para defender a causa indígena. Na galeria dos heróis das últimas décadas, ele destaca a figura de Marçal de Souza, guarani da região de Dourados (MS). ‘‘Marçal foi um verdadeiro guerreiro. Estivemos juntos em muitas reivindicações, inclusive com o Papa. Ele não fazia negócio para se beneficiar e também tinha coragem de denunciar os poderosos. Ele só se calou depois de ter sido assassinado covardemente.’’ (E.A.)

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