Expulsão de repórter é exemplo, diz Lula
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
Agência Folha 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem a líderes de partidos aliados que a decisão de cancelar o visto do correspondente Larry Rohter, do jornal ''The New York Times'', teve o objetivo de servir de exemplo para outros jornalistas estrangeiros e, ao comentar o teor da reportagem, disse não ter sido eleito para santo. Lula insinuou também que o episódio pode estar relacionado a insatisfações com a política externa brasileira, ao dizer aos deputados que ''as pessoas pensaram que o Brasil ficaria submisso diante da geografia comercial vigente''.
Publicada no domingo, a reportagem fala de ''uma preocupação nacional'' devido a supostos excessos alcoólicos do presidente. ''Não fui eleito para santo'', afirmou Lula, segundo relato de presentes ao café da manhã. Realizado no Palácio do Planalto, o encontro reuniu 13 líderes de partidos aliados e vice-líderes do governo na Câmara, além do ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política). A pauta oficial era a discussão de projetos de interesse do governo no Congresso, mas a repercussão da medida do governo dominou o evento.
Segundo deputados, o presidente disse que as fontes usadas na reportagem entre elas, dois colunistas e o ex-governador Leonel Brizola ''não chegaram nem a 300 quilômetros de distância'' dele. O presidente disse ainda ter contado ''até dez'' antes de tomar a decisão, que ela não tem volta o visto será negado, se for pedido novamente.
Lula deu a entender que corrobora a análise do ministro Luiz Gushiken (Comunicação do Governo) segundo a qual outros interesses podem estar por trás da reportagem. Os deputados afirmaram que Lula considera intocada a liberdade de imprensa, já que o NYT pode enviar ao país ''50 ou 100 pessoas, o que não pode é atacar a instituição da Presidência''.
''Se eu não tomasse nenhuma medida, qualquer outro jornalista de qualquer país poderia fazer o mesmo sem nenhuma preocupação com as consequências. Esse caso serviu de exemplo'', afirmou Lula, sempre de acordo com o relato de líderes partidários.
Após um dia de discussões no Senado, o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), anunciou que os líderes da base aliada, da oposição e o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), vão se encontrar hoje de manhã com o presidente no Planalto com o pedido para ele rever a decisão de cancelar o visto de Larry Rohter.
O líder disse que os senadores vão mostrar a Lula que a via judicial é o melhor caminho. ''Iremos expressar ao presidente o sentimento do Senado. Todos entendem que o cancelamento do visto não é o melhor instrumento.''
O cancelamento do visto levou os líderes do PFL e do PSDB no Senado a retirarem suas assinaturas do voto de censura proposto pelo PT contra Rohter, pela reportagem sobre supostos excessos alcoólicos do presidente. A oposição acusou o governo de ferir a liberdade de imprensa e pediu que Lula reveja a decisão.


