Arquivo FolhaO ÚNICOLerner, depois da saída de Dante, é o único governador (PR) do PDT no PaísA expulsão dos deputados federais Serafim Venzon (SC), Wilson Braga (PB), Vicente André Gomes (PE) e Luiz Durão (ES) e a desfiliação do governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira, do PDT estão provocando divisões no Paraná. O secretário do PDT no Estado, Severino Nunes, classificou de ‘‘ditatorial e retrógrada’’ a decisão da direção nacional do partido. Já o presidente regional do PDT, José Francisco Pereira, referendou a punição, apesar de considerá-la ‘‘excessiva’’.
‘‘A direção nacional, liderada pelo ex-governador Leonel Brizola, presidente de honra do PDT, não reflete mais o pensamento das bases do partido. No Paraná, temos um governador e 111 prefeitos do PDT favoráveis à reeleição. Todos terão que ser expulsos do partido só porque a direção nacional pensa diferente?’’, questiona Nunes.
Pereira contesta seu secretário. Para ele, a posição do partido, contrária à tese da reeleição para os atuais detentores de mandatos executivos, teria que ser respeitada por todos. ‘‘O PDT é um partido ideologicamente forte e cujo estatuto já incorporou o conceito de fidelidade partidária. O Severino está equivocado, pois as bases do partido continuam apoiando o pensamento do governador Leonel Brizola’’, afirmou.
O presidente regional do PDT acha que a expulsão dos quatro deputados federais e a desfiliação de Dante de Oliveira deveriam ter sido evitadas, ‘‘Partidariamente, a decisão foi correta. Politicamente, porém, foi incorreta e radical. Os deputados poderiam ter sido punidos com um ano de suspensão das atividades partidárias, por exemplo’’, ponderou.
Severino Nunes não concorda com a liderança regional do PDT. Para ele, a posição contra a reeleição foi tomada por uma minoria partidária, sem consulta às bases do partido.
Nunes lembra que o radicalismo no PDT nacional está esvaziando o partido. Em 1992, o partido elegeu 41 nomes para a Câmara dos Deputados e hoje conta com apenas 20. No Paraná, o PDT elegeu quatro deputados federais e hoje tem somente um. Por discordar do pensamento de Brizola, deixaram o partido os deputados Odílio Balbinoti, Chico da Princesa e Max Rosenmann, este ameaçado de expulsão por ter votado a favor da privatização nas telecomunicações.
O secretário do PDT paranaense afirma que outras lideranças do partido, como o próprio governador Jaime Lerner, não reagem publicamente ao radicalismo da direção nacional por respeito a Brizola. ‘‘O Brasil e o PDT devem muito ao Brizola. Ele é uma liderança respeitada, mas não aceita o contraditório e isso inibe outros líderes do partido. Mas se não houver uma crítica interna, o PDT vai acabar desaparecendo e só vai ficar a direção nacional’’, argumentou.

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