Explicações de Palocci não encerram crise
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sábado, 04 de junho de 2011
Das agências 
São Paulo - A entrevista dada na sexta-feira pelo ministro Antonio Palocci, da Casa Civil, ao Jornal Nacional da TV Globo, não bastará para dar fim à crise desencadeada pela revelação sobre seu patrimônio, avaliam cientistas políticos. ''A alegação de cláusula de confidencialidade não pode ser contraposta à necessidade de transparência diante da opinião pública'', disse o professor Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais, depois de assistir à entrevista do ministro da Casa Civil.
Para Reis, ''a tentativa de negar que há uma crise é precária, porque é patente que o governo está desorientado e que a presidente está sujeita a chantagens''.
Como ele, o analista Ricardo Ismael, da PUC-Rio, entende que as razões que provocaram a crise não foram afastadas. ''Na verdade, a articulação política do governo está completamente comprometida'', diz Ismael. ''A estratégia da entrevista do ministro consistiu em dizer: 'Estou prestando contas ao procurador-geral da República e, portanto, se ele não abrir um inquérito, caso encerrado'. Mas o assunto estará de fato encerrado enquanto ele não divulgar a relação das empresas?''
Incongruências
Ismael diz que ''existe uma série de incongruências na entrevista''. ''Como ele não relacionou as empresas atendidas pela Projeto, não se pode fazer um cruzamento para verificar se elas fizeram alguma doação de campanha.'' O cientista político da PUC-Rio lembra que o ministro ''não era apenas um consultor; era um dos coordenadores da campanha da Dilma''.
Há um ponto na entrevista a favor de Palocci, na avaliação de Wanderley Reis. ''Há um certo sentido em que o ministro se saiu bem: ele respondeu às perguntas com aparente tranquilidade e existe o fato de que os órgãos de investigação supostamente têm acesso às informações necessárias.''
Mas isso, observa, não melhora muito a situação do ministro. Reis pondera que ''o argumento do Palocci de que a divulgação das empresas atendidas por ele seria usada politicamente, evidentemente, não faz sentido''. Isso porque ''existe um episódio equivocado e que pode ser usado pela oposição justamente naquilo que tem de obscuro e pouco esclarecido''.
Em avaliação feita logo após a entrevista, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, também considerou insuficientes as declarações dadas por Palocci.
Para Ophir, que defende o afastamento de Palocci do cargo, as dúvidas sobre possíveis irregularidades na atuação da empresa do ministro só serão ''efetivamente elucidadas'' com uma investigação do Ministério Público. ''São declarações insuficientes. Essa questão só poderá ser efetivamente elucidada, para saber se houve ou não tráfico de influência ou uso indevido do cargo, se houver uma investigação mais aprofundada e só quem pode fazer essa investigação é o Ministério Público Federal'', disse.
''Enquanto isso não acontecer, teremos, de um lado, o ministro tentando dar explicações e do outro os partidos da oposição dizendo que estas foram insuficientes. Ao lado disso, a OAB continua insistindo que o licenciamento do ministro seria a melhor solução. Continuamos a entender que há obstáculos de ordem ética e moral para sua permanência no cargo, já que a sua evolução patrimonial não está, ainda, explicada devidamente'', declarou o presidente da OAB.


