Curitiba - Em recesso até o dia 1º de agosto, os deputados estaduais preparam-se para um segundo semestre agitado na Assembléia Legislativa. Além de projetos polêmicos que devem entrar em pauta no início do mês que vem, as eleições do ano que vem também devem agitar os bastidores da Casa, especialmente até outubro, quando se encerra o prazo para que os deputados troquem de partido para o pleito de 2006.
Segundo o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), os debates já devem começar acalorados logo na primeira semana após o recesso, quando deve entrar na pauta o projeto de autarquização da Empresa de Assistência e Extensão Rural (Emater). O projeto enfrenta resistências da bancada de oposição e de parte da bancada governista com base no interior, que acreditam que a atarquização irá tirar a agilidade da Emater, que como empresa de economia mista tem alguns privilégios na realização de contratações e licitações. Para tentar aprovar o projeto, o governador Roberto Requião (PMDB) determinou a realização de um plano de demissões voluntárias e acenou com a possibilidade de criação de novos cargos para técnicos na empresa, em uma tentativa de sensibilizar os deputados indecisos.
Outro projeto polêmico que deve ser votado ainda em agosto é do deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB). A lei proposta por Rossoni prevê que os conselheiros e auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sejam obrigados a se afastar de suas funções quando tiverem parentes até o segundo grau ocupando cargos no Executivo ou no Legislativo, ou estejam se candidatando a uma dessas funções. O tucano argumenta que isso evitaria decisões de cunho político no TCE. Para Brandão, porém, o projeto deve ser alterado. ''Montamos uma comissão de deputados para discutir o tema com os consehlheiros do TCE, e é provável que ele receba emendas antes de ser votado'', comentou Brandão.
Para o líder do governo, Dobrandino da Silva, outro projeto que merece destaque no segundo semestre é um novo plano de cargos e salários para os professores das universidades estaduais. ''A mensagem ainda não foi finalizada pelo governo, mas com certeza é um projeto que é importante para a categoria'', ressaltou Dobrandino.
Além dos projetos de lei, há também a possibilidade que novas comissões parlamentares de inquérito sejam instaladas na Casa. Segundo Brandão, a primeira a ser instalada será a que investiga o Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE). A comissão foi proposta pelo deputado Neivo Beraldin (PDT). ''Nós gostaríamos que a comissão tivesse sido instalada antes, porque é um assunto que tem grande repercussão para a economia do Estado. O FDE recebeu quase R$ 3 bilhões das empresas paraestatais Paraná Desenvolvimentos e Paraná Investimentos referentes à venda de ações da Copel. E esse dinheiro foi utilizado para conceder benefícios a grandes empresas como a Audi e a Renault. Talvez pelo vulto dessas movimentações e pelos interesses político-econômicos por trás delas a CPI ainda não tenha sido instalada, mas espero que isso mude no início do segundo semestre'', destacou Beraldin.

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