Exoneração causa protesto de coronéis
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segunda-feira, 02 de dezembro de 1996
Sérgio Wesley 
A exoneração do coronel Honório Olavo Bortolini do Comando de Policiamento da Capital (CPC) desencadeou uma crise dentro da Polícia Militar e pode resultar no pedido de demissão do comandante-geral da PM, coronel Daniel Cesar Maingue. O governador Jaime Lerner recebe hoje um manifesto assinado pelos presidentes de três entidades militares com críticas à influência política dentro da PM.
Denunciamos ao povo do Paraná que a submissão irrestrita aos interesses político-eleitoreiros, na maior parte das vezes, desatende aos critérios de racionalidade administrativa, quebra a autonomia relativa dos gestores dos recursos públicos e enfraquece o exercício da autoridade, diz o documento.
O manifesto é assinado pelos coronéis Elípio Artigas Filho, presidente da Associação da Vila Militar, Dirceu Rubens Hatshbach, presidente do Clube dos Oficiais, e Elizeu Ferraz Furquim, presidente da Associação dos Militares Ativos e Inativos (Amai).
Segundo Furquim, a corporação não aceita a forma como aconteceu o afastamento de Bortolini do CPC. Foi uma dispensa inopinada e desmotivada. E se os motivos alegados forem verídicos, a instabilidade estará instalada em toda a Polícia Militar, afirmou o presidente da Amai.
Furquim disse que a justificativa apresentada para a exoneração de Bortolini foi de que o deputado Ricardo Chab (PSDB) não teve seus pedidos de policiamento atendidos pelo CPC e acusou a PM de estar aquartelada. Segundo o coronel, pedido de deputado não é ordem e o policiamento tem que seguir critérios técnicos. Esse tipo de pressão política no setor de segurança fere os direitos da cidadania e gera instabilidade na sociedade, critica Furquim.
O documento dos coronéis militares cita apenas o deputado Ricardo Chab, mas também é endereçado ao deputado Aníbal Khury (PTB), presidente da Assembléia Legislativa. Foi Khury quem assinou a nomeação de Bortolini durante uma de suas interinidades no governo. Depois, pediu publicamente para que o coronel pedisse demissão do comando do CPC. Bortolini não tomou a iniciativa e Khury usou de sua influência política para fazer valer sua vontade.
O manifesto dos militares lembra que quatro dias antes da sua eleição, o governador Jaime Lerner desceu de helicóptero nos jardins do Clube dos Oficiais da Polícia Militar, onde reuniu-se com os oficiais. Convenceu-nos Sua Excelência dos seus bons propósitos e comprometeu-se espontaneamente em partilhar conosco as decisões que nos dissessem respeito, acrescenta.
O documento dos policiais militares classifica o afastamento de Bortolini como um ato impensado do governo. Furquim disse que os coronéis não esperam a revisão da exoneração, principalmente pelo fato de Lerner já ter nomeado o coronel Sérgio Tippa para o comando do CPC.
Manifestamo-nos contrários à forma como o governo do Estado volta a tratar os profissionais da segurança pública, pois pela formação cultuada corporação, toda ela voltada à lealdade e disciplina, fica implicitamente excluído o comportamento que entre os políticos é denominado fritura, diz o manifesto. Segundo os coronéis, o processo de fritura teve influência do coronel Luiz Antonio Vieira, chefe da Casa Militar.


