Êxito depende de trabalho articulado
A simples criação, através de lei, de uma região metropolitana, não é a garantia de que questões municipais comuns serão resolvidas. Além de vontade política para encaminhar a solução de problemas, é preciso planejamento, estratégia e empenho. Se instituir por lei e ficar só no papel não adianta nada. O êxito depende de um trabalho articulado, da batalha por bons projetos e da ressonância entre governo, prefeituras e comunidade, orienta Paulo Kawahara, presidente da primeira região metropolitana criada no Estado em 1974, a de Curitiba.
Ele explicou que a lei que criou a Região Metropolitana de Curitiba foi estadual, com respaldo da lei federal 6766/79. A Constituição prevê a instituição de regiões metropolitanas quando surgem funções públicas de interesse comum, argumentou.
Kawahara afirmou que o fato das duas regiões metropolitanas já criadas no interior não terem vínculo direto com órgãos federais e terem sido aprovadas por lei estadual não irá impedir que verbas da União sejam requisitadas para solução de problemas comuns.
A Região Metropolitana de Londrina foi instituída através de lei estadual em 17 de junho de 98 e a de Maringá em 17 de julho de 98. Até agora, não houve muitos avanços na conquista de reivindicações da comunidade. A Região Metropolitana de Londrina abrange também Cambé, Ibiporã, Jataizinho, Rolândia e Tamarana. A de Maringá aglutina os municípios de Ângulo, Iguaraçu, Sarandi, Mandaguari, Marialva, Mandaguaçu e Paiçandu.
Entre as conquistas da região de Maringá está a aquisição de consultas e exames médicos em conjunto por todos os municípios, o que tem garantido o atendimento a pacientes excedentes do SUS e redução do custo dos procedimentos para as prefeituras. Alguns municípios também conseguiram a criação de linhas especiais para o transporte intermunicipal e estudam a implantação de aterros sanitários em conjunto.
Em Londrina, os resultados são inexpressivos. Existe um consórcio intermunicipal de saúde, o Cismepar, mas ele é anterior à criação da lei que criou a região metropolitana. A tão falada redução na tarifa telefônica entre as cidades conurbadas até agora não foi viabilizada. O prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido), reconhece a lentidão dos resultados. É demorado, mas se não se fizer nada agora, nunca teremos um planejamento regional.
Na legislatura passada, os deputados apresentaram projeto para criação de regiões metropolitanas de Apucarana, Cascavel, Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão. Entretanto, as propostas não foram votadas a tempo e, consequentemente, arquivadas. (P.Z e M.Z)





